quinta-feira, 30 de abril de 2009

The Good Ol' Days #3: Escape From L.A.

Realizado por: John Carpenter
Com: Kurt Russell, Pam Grier, Steve Buscemi, Peter Fonda
imdb

Já agora, para acabar a minha trilogia de [Kurt Russel+John Carpenter = Filmes de Culto], apresento a sequela a Nova Iorque, 1997: Fuga de Los Angeles.

A história repete-se: No ano 2000, Los Angeles sofre o grande terramoto e separa-se fisicamente dos restantes estados, tornando-se uma ilha de prisioneiros. Quando a filha do presidente dos EUA, Utopia, é manipulada por um desses prisioneiros, Cuervo Jones, para trazer um dispositivo que desencadeará o fim do mundo como o conhecemos, o novo comandante de segurança do Presidente, Malloy, convoca o zarolho Snake Plissken para a missão de extracção. Mais uma vez, Snake é posto à prova: um vírus injectado no seu corpo irá matá-lo caso não cumpra a missão em menos de 9 horas.

A grande diferença deste filme para o seu antecessor é o subtexto satírico que o envolve. Na altura do terramoto, os EUA sofreram uma enorme reviravolta no seu sistema quer político, quer social, de regras. Agora o nome da confederação de estados chama-se New Moral America e encarrega-se disso mesmo: ser um modelo para o resto do mundo, estabelecendo standards morais. Quem os desrespeitar, quem fumar, comer carne vermelha, "fornicar", e em alguns estados, for muçulmano, é deportado para Los Angeles em conjunto com os criminosos.

Claro que está mais que evidente a forma como essa história se correlaciona cada vez mais com os Estados Unidos e o seu falso moralismo. (já em 1996 era assim...)
De resto, acredito que Russell e Carpenter tenham pensado que se havia uma boa altura para fazer o remake com um fresh twist, aquela era a ideal.
Para além disso, o filme conta com a rainha do funkadelic Pam Grier, Steve Buscemi como o hilariante "Maps-To-The-Stars" Eddie, e Snake ainda surfa um tsunami com Peter Fonda.

Mais uma vez, groovy como tudo.

The Good Ol' Days #2: Escape From New York

Realizado por: John Carpenter
Com: Kurt Russel, Lee Van Cleef, Isaac Hayes
imdb

O resto do mundo conheceu este filme, de uma forma ou de outra, por Nova Iorque: 1997.

Como podemos assumir pela lógica, o filme começa em Nova Iorque. O ano, 1997. Manhattan é agora uma prisão de máxima segurança onde os prisioneiros são deixado às suas próprias regras, hierarquias e leis. Quando o Air Force One é sequestrado com o Presidente dos Estado Unido da América a bordo, este ejecta-se num veículo de emergência, aterrando na ilha em questão.
Para o resgatarem, o comissário da polícia Hauk (interpretado pelo vilãozissimo Lee Van Cleef) contacta um herói de guerra ex-Forças Especiais, agora ladrão de bancos aprisionado, que dá pelo nome de Snake Plissken. Em troca do Presidente, oferece-lhe a sua liberdade. Mas existe uma condição: Hauk implantou cápsulas explosivas no pescoço de Snake. Se Snake não voltar dentro de 24 horas com o Presidente, morre.

Tiros, mortes, gangues, apocalipse, presos, corrupção, estilo, e o fanfarrão mais pausado de todos os tempos. Assim se apresenta Nova Iorque: 1997. Carpenter no seu fantástico estilo de storytelling linear, Kurt Russel com uma pala no olho. Como se isso não bastasse, John C decidiu que o rei dos prisioneiros de Manhattan, o guerrilheiro auto-proclamado The Duke of New York, seria interpretado por ninguém menos que o barítono Isaac Hayes.

Só a tagline diz tudo: "1997: New York is a walled maximum security prison. Breaking out is impossible. Breaking in is insane..."

Se isto não é um groove de filme, não sei o que será...

The Good Ol' Days #1: Big Trouble In Little China

Realizado por: John Carpenter
Com: Kurt Russell, Kim Catrall
imdb

Que tal o original em Português? As Aventuras de Jack Burton nas Garras do Mandarim. Cá está um grande título que demonstra imediatamente a aventura épica que estamos prestes a presenciar! E refiro-me a este post porque, verdade seja dita, a descarga de adrenalina e emoção que é ver Jack Burton a combater ninjas não pode ser descrita por palavras mortais. Escrito pelo fenomenal (noutras áreas) Gary Oldman e realizado por John Carpenter, este sim é o filme kitsch a ter em casa.

Para quem se lembra, Jack Burton é um camionista chico-esperto de vida rotineira que, ao saber do rapto da noiva do seu melhor amigo, se vê envolvido numa missão de resgate. Essa missão leva-o ao submundo existente por baixo de Chinatown, onde Lo Pan, um feiticeiro mandarim de 2000 anos que procura casar com uma chinesa de olhos verdes (daí o rapto), governa uma dimensão de monges do kung-fu e espirítos maléficos que faram de tudo para impedir Burton de resgatar.

Gangues lutadores, moges, chinesas enfeitiçadas, uma Kim Katrall (sim, a Samantha do Sexo e a Cidade) ainda com 20 anos muito bem feitinhos, Kurt Russel no papel percursor da sua carreira badass, mandarins mágicos, cabeças voadoras, espíritos enfurecidos, facas retribuídas (quem se não se lembra dessa cena? "It´s all in the reflexes"), camiões, esgotos e anos 80. Tem tudo para dar no melhor filme camp de todos os tempos!

Claramente, este seria o primeiro passo para o batalhão de filmes de culto que se avizinhariam nas próximas décadas. Muito antes de Tarantino saber o que era cool, já Kurt Russell e John Carpenter ensinavam a adolescentes hiperactivos e sedentos de sangue.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Mais um dos Mestres


É para dia 9 de Junho.

Kylesa - Static Tensions

Kylesa
Static Tensions
[prosthetic records 2009]
[ MySpace ]

Devem meter qualquer coisa na água para os lados da Georgia, USA, porque pelos vistos as bandas de lá são assim a puxar para o muito boas. Mastodon e Baroness já eram para mim referências incontornáveis do metal moderno, mas com Static Tensions os Kylesa completam como que uma santíssima trindade daquele estado norte-americano.

E não é por isso de estranhar o artwork, que quem anda nisto há uns tempos identifica facilmente como sendo da autoria de John Dyer Baizley, guitarrista/vocalista dos ditos Baroness, conterrâneos de Savannah. Essa qualidade tem continuidade na própria música, pois os Kylesa estão a ganhar calo e Static Tensions é um álbum na verdadeira acepção da palavra, composto por duas mãos cheias de canções cuidadosamente criadas, trabalhadas e exaltadas por uma produção absolutamente cristalina, especialmente no que toca ao som das duas baterias.

Duas baterias?!

Pois, é que os Kylesa, desde Time Will Fuse Its Worth, de 2006, que apresentam dois bateristas. Ora, juntando esse pormenor de somenos ao facto de haver também dois vocalistas (Laura Pleasants e Phillip Cope), temos aqui potencial ou para uma grande trapalhada ou para algo especial. Se no álbum anterior a fórmula ainda não tinha sido bem afinada, agora a máquina dos Kylesa está oleada e bomba a todo o vapor. O resultado é conflito: os vocalistas degladiam-se entre si e o mesmo acontece entre os bateristas, mas em prol da música e de uma maneira que resulta sobremaneira.

No que às baterias diz respeito, a produção é um aliado de peso, pois a distinção entre ambas faz-se estando uma totalmente à direita no stereo e a outra totalmente à esquerda - daí que um bom sistema de som ou uns headphones sejam recomendados para admirar este álbum a sério. O groove é incessante mas há momentos de elevação rítmica como é o caso de "Said and Done" ou "Running Red" - esta última com um riff e uma melodia vocal que a faz aspirar a épico. Enquanto uma das baterias mantém um ritmo normal, a outra mantém ora um blast beat (no primeiro caso) ora um groove tribal (no segundo). Ficamos ao mesmo tempo divididos e deliciados com as possibilidades.

Já nas vozes, Phillip Cope aprimorou o seu berro mas para mim é Laura Pleasants que brilha a grande altura, num timbre spaced out, muito psicadélico, a fazer lembrar bastante Lori S. dos Acid King. A dualidade entre as vozes é quase perfeita, a agressividade de Cope e a beleza etérea de Pleasants. Mais uma de muitas razões para curtir um álbum que é daquelas amostras perfeitas do que pode sair de um caldeirão de influências díspares em mentes inovadoras e sem medo de experimentar.

Andei vidrado bastante tempo no Red Album dos Baroness e tanto assim foi que acabei por cansar. Kylesa é a lufada de ar fresco dos lados de Savannah que estava a precisar.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Vagos Open Air 2009

Aparecem as primeiras confirmações para a primeira edição do Vagos Open Air, a realizar a 7 e 8 de Agosto deste ano:

Katatonia [swe]
Dark Tranquility [swe]
The Gathering [hol]
Epica [hol]
Thee Orakle [pt]
Process of Guilt [pt]

E diz-se por aí à boca pequena que os Gojira [fr] podem ser confirmados em breve. Com um cartaz destes, das duas uma. Ou acontece como a trapalhada do Lagoa Burning Festival do ano passado (ou já foi há dois anos?) ou então vou mesmo ter de ir à região de Aveiro em Agosto...

Blast From The Past #1 - 1989

Como nem só de novidades se faz um blog e como três foi a conta que dEUS fez...


Saint Vitus
V [Hellhound, 1989]

Doom de absoluta pureza, riff destilado e repetido, som ao mesmo tempo abafado e cristalino e a inconfundível voz de Scott "Wino" Weinrich são ingredientes mais que suficientes para fazer dos Saint Vitus uma banda obrigatória para qualquer metalhead que se preze. Sempre que se fala de doom metal é da praxe falar-se em Black Sabbath e sem dúvida que Osbourne, Iommi, Butler e Ward ensinaram muito a gerações de seguidores até aos dias de hoje. Os Vitus pegaram na essência e deram-lhe uma característica inteiramente deles. V culmina uma série de três LPs, juntamente com Born Too Late e Mournful Cries, e é pouco mais de meia hora de sublimação. Foi o último disco com Weinrich na banda e desde então essa lineup apenas deu um concerto em 2003 e claro o acontecimento que foi tocarem há 2 dias como headliners do Roadburn.

Killer Cuts: "Living Backwards", "I Bleed Black", "Jack Frost".



Nirvana
Bleach
[SubPop, 1989]

A intimidade de In Utero e a perfeição da pop de Nevermind são intemporais mas é a Bleach que mais regresso ultimamente. Há algo na produção de Jack Endino, fosse por que motivo fosse, que me agrada sobremaneira bem como a voz menos gritada e ao mesmo tempo mais agressiva do Kurt. Há aqui mais DIY, mais peso do que haveria mais tarde e sobretudo mais ingenuidade e atitude. Pergunto-me, ainda assim, o que seriam estas canções com Dave Grohl a malhar forte e feio na bateria em vez de Chad Channing (e Dale Crover, dos Melvins, que tocou em três faixas), mas a verdade é que aqui eu pura e simplesmente não mudaria coisa alguma.

Killer cuts: "School", "Negative Creep", "Paper Cuts", "Love Buzz" (Shocking Blue cover)



Terrorizer
World Downfall
[Earache, 1989]

Há momentos em que tudo se conjuga para que se produza algo de incontornável e intemporal. Se é verdade que os Napalm Death escreveram a maior parte das regras do grind em 1987 com Scum e From Enslavement to Obliteration, não é menos verdade que os Terrorizer sublinharam essa vertente e cruzaram-na com um som mais thrash death. Junta-se um lineup de luxo e o resultado é avassalador, 36 minutos da mais elementar destruição. O artwork de World Downfall não nega também a influência estilística em relação a Napalm Death e mostra a podridão aos pés de quem a todos quer por igual. 20 anos depois, num mundo em que uns continuam a ser mais iguais que outros, World Downfall permanece relevante e um sinal de revolta social e cultural. Obviamente não é para ouvidos sensíveis e só faz sentido se o que está em volta teima em não ter sentido.

Killer cuts: "After World Obliteration", "Fear of Napalm", "Enslaved by Propaganda", "Dead Shall Rise"


Também em 1989...
  • Pixies - Doolittle
  • Morbid Angel - Altars of Madness
  • Sepultura - Beneath the Remains
  • Faith No More - The Real Thing
  • Nine Inch Nails - Pretty Hate Machine
  • Pestilence - Consuming Impulse
  • Obituary - Slowly We Rot
  • Primus - Suck On This

Cannes 2009: Fight!


Foi revelada a selecção oficial do Festival de Cannes deste ano e pode dizer-se que vai ser uma bela festarola: Ang Lee, Pedro Almodóvar, Jane Campion, o genial Park Chan-wook, Michael Haneke entre outros, todos terão estreias marcadas para o festival francês. Ah e ainda Quentin Tarantino, com o seu muito aguardado Inglourious Basterds, de resto como sucedeu com Death Proof há 2 anos. De notar ainda a maior incidência do cinema europeu em detrimento do americano, que se vê com a menor representação desde 2006.

Ide, ide ver todos os pormenores no site oficial do evento.

domingo, 26 de abril de 2009

Black Metal Logos

Nunca fui fã de Black Metal, embora admita algum interesse pelas novas tendências (eg. Wolves In The Throne Room) que acabam por fugir bastante ao clássico.

Mas nunca percebi muito bem porque raio os logotipos têm de ser todos deste estilo... será para não se perceber muito bem o nome da banda?

sábado, 25 de abril de 2009

Grey Daturas em Lisboa


Os noise makers Australianos Grey Daturas vão actuar já no próximo Sábado (de hoje a oito) na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. Quem gosta de música sem precauções, noise, sludge experimentalista ao máximo e a fazer lembrar a pura devastação e desolação, se calhar era bom de espreitarem esta malta que não passa cá neste cú do mundo todos os dias. Assim tipo um mix marado entre My Bloody Valentine, Sonic Youth, Sunn O))) e Nadja. Música para os sentidos.


E diga-se de passagem, os Men Eater tocam com os Löbo no mesmo dia à mesma hora, no MusicBox. Opções, opções...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Mastodon - Crack The Skye (2009)

Mastodon
Crack The Skye
[reprise 2009]

Ora aqui está um bom exemplo de uma banda que, ao contrário de 98% das bandas Portuguesas, não anda a fazer sempre o mesmo álbum.

Os Mastodon parecem estar-se nas tintas para o que pensam deles. Primeiro é a sujidade e a destruição, depois é o tributo a Melville e à sua Moby Dick, até que por alturas de Blood Mountain começou a perceber-se que estes meninos não tinham problemas em complicar à sua maneira. Mergulham no que convencionamos aqui chamar de progressivo, já não só a nível lírico, como também a nível musical. A questão é que é preciso ter unhas para isto tudo. E eles têm!

Os indícios estavam lá e Crack The Skye é para mim a total afirmação e confirmação dos Mastodon como uma das bandas mais originais dos últimos anos, com um percurso, se formos a ver, assustadoramente semelhante aos Metallica (com quem curiosamente partilharão este ano o palco em algumas ocasiões, incluíndo no Optimus Alive):

Remission ~ Kill 'em All
Leviathan ~ Ride The Lightning
Blood Mountain ~ Master of Puppets
Crack The Skye ~ ...And Justice For All

Quem conhece bem as discografias de ambas as bandas, vê que esta perspectiva não é assim tão descabida - façamos figas para que não haja uma fase Load/Reload.

Crack The Skye
é um álbum que merece várias audições com uns bons headphones para apreciar a magnitude da tarefa a que se propôs a banda. Há muita coisa a acontecer aqui, desde canções mais imediatas e surpreendentemente mais longe do metal que o habitual, com uma sensibilidade quase pop, até dois épicos cada um com mais de dez minutos onde tudo acontece com uma classe e cadência impressionantes. Mas não se pense que o peso desapareceu. Está apenas, como no caso dos Isis, cada vez mais requintado.

Talvez o que capte logo mais a atenção é a exploração vocal que os Mastodon decidiram fazer. Agora até o baterista Brann Dailor empresta a sua voz, curiosamente logo a primeira que se ouve durante vários versos no tema de abertura, "Oblivion". E ao longo dos 50 e tal minutos de duração, dei por mim muitas vezes a notar o quão original esta e aquela e a outra parte realmente eram, seja um lick de guitarra que vai e vem, seja uns metais lá ao fundo, seja o jogo entre ambiente e ritmo bombástico.

Ao princípio estranha-se, depois entranha-se. E de que maneira. É um álbum que cresce repetidamente a cada audição e não tenham a mínima dúvida: estará no topo de muitas e muitas listas no final do ano. Cheira-me é que o próximo, seja lá quando for, vai trazer o peso todo de volta. With a vendetta.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Livros Que Deram Um Filme

Adaptar livros a filmes é algo já com muitos anos de uso (e abuso) merecendo até uma categoria própria em muitos prémios anuais. Esta parece-me ser no entanto uma questão algo melindrosa e sempre aberta a polémicas e discussões. Um pouco de simples combinatória:
  • Não gostei do livro, gostei do filme. (raro)
  • Não gostei do livro nem do filme. (menos raro)
  • Gostei do livro e do filme. (acontece)
  • Gostei do livro, não gostei do filme. (de longe o mais comum)
É para mim uma típica questão de suporte: o livro deixa o world building à imaginação do leitor e eu, como leitor, imagino sempre de todos o mundo que mais sentido faz para mim; o filme enfia-nos, por inerência, uma interpretação visual e estética pela goela abaixo. No fundo, a razão mais citada pelos músicos que não gostam de videoclips, argumentando que preferem deixar a interpretação da música ao critério do ouvinte. Estes músicos, jogam (e bem, diria eu) à defesa. Os escritores, têm essa defesa de barato.

Claro que se tivermos um bocadinho que seja de bom senso e formos despojados de qualquer tipo de fundamentalismo/fanatismo, bem podemos dar uma hipótese justa a um filme que adapta um livro, se medirmos bem as devidas distâncias, em especial a desvantagem que citei acima. Por outro lado, um bom livro mexe-nos com a cabeça mas um excelente livro consegue mexer também com o coração. E quando assim é, a tal capacidade de nos distanciarmos e avaliarmos racional e friamente torna-se cada vez mais utópica.

Em jeito de ilustração, aqui ficam alguns exemplos da minha opinião pessoal em relação a meia dúzia de conhecidas adaptações:


High Fidelity
Stephen Frears (Dirty Pretty Things, The Queen) pegou no romance bem british de Nick Hornby e deu-lhe um spin americano. A Londres do livro passou a Chicago na tela e funcionou na perfeição: um atestado à beleza dessa cidade de design, perfeita enquanto backdrop e um atestado à universalidade da música: works everywhere.


The Da Vinci Code
Dan Brown parece escrever já a pensar no que vai embolsar na venda para argumento de filme, mas também é preciso um grande talento para isso. Neste caso, o Robert Langdon do ecrã não consegue empolgar metade do seu congénere do livro. O corte à Santana Lopes também não o favorece, e nem a Audrey Tatou safa esta trapalhada. Fail!


The Godfather
O original de Mario Puzo é um romance com uma textura riquíssima e nem imagino a obra hercúlea que terá sido pegar nisto e fazer um filme. Só um realizador do calibre de Francis Ford Coppola poderia estar à altura, embrenhando-se na adaptação fiel com uma dedicação ímpar conforme ficou documentado no disco extra da colecção DVD/BluRay. Junte-se a isto um cast de luxo e sobretudo um Marlon Brando no pico e o resto é história.


Gone Baby Gone
Já tive oportunidade anteriormente de malhar no filme e tecer os mais rasgados elogios ao livro. Ben Affleck tomou as maiores liberdades no filme que fez baseado na obra prima de Lehane. Para mim, foram demasiadas e reduziram a estória à coisa mais insípida que podia imaginar. Mas como o mundo todo pensa diferente de mim, diria que o mundo todo não pode estar errado, não é?


The Lord of the Rings
À semelhança de The Godfather, também adaptar a obra prima da fantasia de J.R.R. Tolkien ao cinema é uma tarefa gigantesca e cheia de perigos e armadilhas (embora não tantas, claro, como Frodo teve de enfrentar para jogar fora o anel). E também aqui só um realizador talhado para se meter num projecto até à passação total poderia alcançar o sucesso. Sei que esta opinião é discutível, mas para mim a trilogia como um todo retrata de forma muito fidedigna o livro. Senti-me lá, tal como no livro, mesmo com a agravante de ser um mundo fictício. E mesmo retirando algumas personagens à estória (lamento principalmente a ausência de Tom Bombadil, pelo mistério que encerra em si), Peter Jackson conseguiu que a magia permanecesse.


The War of the Worlds
Ai, o que o senhor H.G. Wells se deve ter revolvido na campa. Esta é daquelas adaptações que põe e dispõe, sem saber o que está a fazer e não deixa nada no sítio. Nem Dakota Fanning, nem Tom Cruise, nem mesmo Tim Robbins conseguem salvar uma adaptação no mínimo sofrível. Mr. Spielberg, what were you thinking? Fail! Fail! Fail!


E os nossos caríssimos leitores, não quererão juntar as vossas considerações à lista? Sei que há aí muito boa gente com muito mais e melhor para dizer sobre isto do que eu alguma vez poderia almejar. Fire away!

Process of Guilt: Novo Tema Online

Os eborenses Process of Guilt acabam de disponibilizar uma malha nova no seu MySpace, em antecipação do lançamento do novo álbum Erosion, previsto para breve. À primeira audição fez-me lembrar a "Becoming Light", uma das canções mais bem amadas do Renounce, primeiro e único longa duração da banda até agora, which is fucking gooooooood. Augura-se muita dor de pescoço, amiguinhos.

Entretanto, como aperitivo, a banda tem em pre-order no seu site oficial uns packs bem apelativos para quem gosta disto, que incluem um vinil de edição limitada do split com Caïna (onde os Process of Guilt tocam uma cover dos extintos This Empty Flow), a reedição remasterizada da segunda demo Demising Grace (já tive oportunidade de ter na mãos o artwork e está ducacete) opcionalmente com t-shirt incluída e ainda, imagine-se, o Renounce ...em cassette!

E a não esquecer/não perder, o concerto de 4 de Maio no Transmission (Cais de Sodré) com os Minsk! Pedido de reservas para ritualsom@gmail.com.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Wavering Radiant Mug

Ficam desde já todos a saber que gosto muito de canecas e que poderão ter o vosso próprio lugar no céu se me oferecerem uma caneca do novo álbum dos Isis:


Obrigado e bem hajam.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Isis - Wavering Radiant (2009)

Isis
Wavering Radiant
[ipecac 2009]

Os Isis seguem a toada do anterior In The Absence of Truth mas este Wavering Radiant causou-me melhores primeiras impressões do que o seu predecessor. As comparações, até com o seu próprio repertório, são no entanto injustas. É que chegados a 2009, esta é uma banda absolutamente tranquila, confiante, sem pressas e isso nota-se em Wavering Radiant, verdadeiramente um álbum mais que uma colecção de canções separadas.

Não está aqui uma nova sonoridade, não há caminhos novos a serem trilhados, coisa que os Isis já fizeram em boa medida no passado. Para quem gosta, este novo registo tudo tem para agradar, a não ser que estejamos à procura da parede de som sujo e distorcido de Oceanic para trás. Aí não há nada a fazer, pois Aaron Turner e amigos já não estão muito para aí virados, não obstante os momentos de peso cataclísmico que existem neste disco em doses requintadas. É que se a ideia é essa, então andam aí bandas bem mais indicadas neste momento.

As bandas realmente originais, aquelas que procuram o seu som e não se ficam pelo regurgitar incessante das suas próprias influências, têm tendência a reinventar-se periodicamente. Em casos extremos (e.g. Boris) cada álbum é um som novo, num estilo completamente diferente e mesmo antagónico do anterior. Noutras, por natureza mais calculistas mas não menos experimentalistas e destemidas, nota-se uma evolução ao longo de uma série de álbums até que a fórmula cristaliza e a banda produz um álbum que enuncia perfeitamente, com conta, peso e medida, todas as regras dessa dita fórmula. Wavering Radiant parece ser esse álbum para os Isis, como um bom vinho que estagiou o tempo certo, nas pipas certas e por fim é aberto à mesa sem esquecer a prévia decantação. Tudo pela mão de quem sabe. Assim, não me surpreenderia se o próximo álbum iniciasse outro ciclo. Até lá, é degustar este.

Roadburn 2009


Faltam só dois dias para o Roadburn deste ano. Quem é que está de malas aviadas e prontinho para consumir mais droga do que é humanamente possível?

É que além desse detalhe intrínseco a qualquer festival mas especialmente no que ao Roadburn diz respeito, o cartaz deste ano é fabuloso... entre outros:

- Mono
- Neurosis
- Grails
- Earth
- Orange Goblin
- Amon Dull II
- Motorpsycho
- Baroness
- Om
- Wolves in the Throne Room
- Saint Vitus (!!!!)
- Ufomammut
- Minsk
- Steve von Till
- Omega Massif
- Asva
- A Storm of Light
- Scott Kelly
- Gomer Pyle

...e a lista continua. Tudo condensado em três dias de êxtase, 23-25 de Abril, em Tilburg, na Holanda.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O Regresso de Dan Brown

"The Da Vinci Code" e "Angels & Demons" causaram das maiores histerias literárias dos últimos tempos, ao ponto de fazer vender as duas obras anteriores de Dan Brown que nem pãezinhos quentes, livros que de outra forma estariam votados ao esquecimento absoluto. Mas Dan Brown é Dan Brown e o homem deve ter qualquer coisa, pelo menos se levarmos em conta a quantidade inenarrável de obras semelhantes, quase plágios, que se seguiram à sua ascenção meteórica. Olá José Rodrigues dos Santos, é também para si que falo, meu caro.

Já deu para perceber que não sou o maior adepto de Dan Brown, apesar de ter lido os seus quatro livros. Não acho muito mau, simplesmente é praticamente nulo para além do mero entretenimento. Quanto a mim, é o equivalente literário do chamado filme pipoca.

Isto tudo para dizer que o senhor anunciou finalmente o seu regresso e isso equivale ao regresso de Robert Langdon, o famoso especialista em simbologia mais desenrascado que o próprio McGyver. "The Lost Symbol" tem lançamento previsto para o Outuno deste ano, precisamente a 15 de Setembro.

Mais informações, no site oficial do autor.

Ensaio Sobre a Cegueira

Realizado por: Fernando Meirelles
Com: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover
imdb

Vamos falar em coisas sérias. Este filme é dos piores filmes que alguma vez vi na vida. Não passa de lixo convencido que é ouro. Infelizmente, nunca li o original. Talvez este fosse o pretexto que me faltava.

Vou começar por dizer o que não gostei, visto não ter havido nada que tenha gostado.
O filme fala de uma doença misteriosa chamada "cegueira branca" que faz exactamente isso: cega. É altamente contagiosa e ninguém, exceptuando Julianne Moore, parece ser imune. Os cegos, os governos decidem concentrá-los em campos de quarentena. Como a única pessoa com visão, Julianne assume um cargo de liderança subentendida, embora ninguém esteja ciente da sua condição. Claro que daí ao caos pós-apocalíptico é um saltinho.

O filme é um encadear de falsas reacções humanas, buracos no enredo, personagens mal construidos e unidimensionais (o que não impediu o realizador de falsificar uns dilemas interiores para disfarçar), actores horriveis (excepto Ruffalo, que não está mal, como sempre) e uma realização simplesmente repugnante.
Não faço a mínima ideia o que Meirelles queria fazer com aqueles planos pseudo-interpretativos. Seria dar ao espectador a sensação de cegar? Então porquê a aleatoridade? Porquê da narração ora presente ora ausente de um personagem terciário ao fim de 40 minutos de filme? E porque é que esse personagem fala como se estivesse a escrever um livro?

Não vou dar spoilers: as cenas mais intensas do filme são completamente estúpidas, robóticas, inúteis e obviamente escritas por alguém que leu o livro e não se deu ao trabalho de investigar a condição humana subjacente às acções dos personagens.

Este filme faz parte de uma nova vaga de cinema que está aí a aparecer. Esse cinema usa truques e tecnicismos elaborados, além de uma arte batida e banal, para desviar a atenção do espectador da verdadeira característica que se esconde por baixo dele: é uma merda.

domingo, 19 de abril de 2009

Bob & Jimi


Marvel: Secret Invasion



Não há nada que enlouqueça mais o ser humano que descobrir que o mundo em que acredita não passa de uma enorme farsa. Descobrir que a nossa mãe não passa de um alien, que o namorado nos traía com a nossa melhor amiga, que o pai funcionário público trabalha na CIA e é homossexual, pode transtornar qualquer pessoa, desmoronando todo um passado ou pior, uma infância. Afinal, o que somos sem os alicerces do passado? Sem o que dizemos que nos construiu?

A Marvel, sempre de olhos postos na actualidade e caneta em punho, desenvolveu uma história fascinante sobre a necessidade de acreditar na genuinidade do outro. Ou, por outra, na facilidade de derrubar o mundo se a teia de relações desde o homem mais comum ao Presidente dos EUA fosse minada por impostores, por menores que os seus cargos pudessem ser.

Os Skrulls, uma espécie alien cujo planeta fora destruído numa antiga batalha com super-heróis, operavam há anos na Terra, substituindo uma por uma as pessoas que rodeavam os super-heróis e os super-vilões, por elementos da sua espécie, que têm a capacidade de assumir qualquer aparência. Sem atacar directamente as forças superiores, esta espécie conseguiu controlar de dentro o mundo, dissecando a mente humana até descobrir o que mais teme: não saber quem é, ou descobrir que as pessoas mais queridas para si são impostores. Facilmente enlouqueceram Tony Stark (Iron Man) quando o fizeram crer que era um Skrull, explicando que os seres desta espécie, quando são mandados em missão, perdem a memória da sua vida no planeta de origem e são levados a acreditar que são humanos. Do mesmo modo, vários Skrulls acreditavam piamente ser humanos, o que conduzia a violentas e sanguinolentas cenas de pancadaria entre skrulls-iludidos e seres humanos-confusos.

Afinal, é tão fácil derrubar o mundo dos humanos.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Unearthly Trance / Minsk (7" Split)


Por vezes encontram-se pérolas, daqueles achados que nos desorientam por momentos, que nos fazem bater no Play vezes sem conta, seguidinhas. E frequentemente deixar os outros sem perceber que raio de tão interessante é que está naqueles minutos de música.

Já tive várias experiências dessas ao longo do meu quarto de década de existência, mas a mais recente foi mesmo hoje, há bocadinho, com o split deste ano dos Unearthly Trance com os Minsk. Lançado numa edição limitada a 500 cópias de vinil preto 7", são apenas duas malhas de um stoner doom poderosíssimo, a la Eyehategod. Curioso é o facto de serem ambas covers de Roky Erickson, guitarrista fundador dos 13th Floor Elevators e pioneiro do rock psicadélico nos idos sessentas (lembram-se da musiquinha com que começa o brilhante High Fidelity?).

A contribuição dos Unearthly Trance, "The Night of the Vampire", é mais imediata, bastante repetitiva mas o que repete é devastador, com um riffalhaço do tamanho do mundo a fazer lembrar as melhores coisinhas dos tempos áureos de Black Sabbath e uma entrega vocal sem limites. Já os Minsk alongam-se mais, ultrapassando os sete minutos, com um doom mais atmosférico e sobejamente negro, quase gótico mas nem tanto. A produção é perfeitamente suja, com tudo no prego. A distorção é absolutamente raínha.

Agora que já devo ter conseguido afastar os mais cautelosos e sensíveis, o melhor mesmo é ouvirem e reouvirem e reouvirem. I know I am.
Os Minsk tocam no próximo dia 4 de Maio no Transmission @ Cais do Sodré.

Emoções Rápidas

Partimos da citação do conceituado neurologista Português António Damásio, descaradamente roubada do Juramento Sem Bandeira:

«E há outro problema mais grave, para onde o nosso trabalho se está a dirigir. É um problema que tem a ver com a diferença de velocidades do nosso cérebro cognitivo e do nosso cérebro emocional. O cérebro emocional é um cérebro lento. Vem de há milhões de anos. É um cérebro que tem certas características de sistema neuronal, de mediador de estímulos, e que funciona numa escala relativamente lenta. É uma escala de segundos a, por vezes, minutos. O cérebro cognitivo funciona numa escala de centenas de milisegundos. Muito, muito rápido. Portanto, é perfeitamente possível para nós aprendermos muito rapidamente uma quantidade de factos, recolhermos uma quantidade de imagens e lembrarmo-nos delas, manipularmos essas imagens de uma forma inteligente. E, ao mesmo tempo, as emoções que deviam ser disparadas em relação a certos factos, em relação a certos acontecimentos, não conseguem ser disparadas porque não há tempo. Portanto, estamos a fazer uma separação, um divórcio completo entre estes dois cérebros, e isso, sim, isso pode ser muito perigoso.»

E que relevância tem isto para um espaço como o 24Hz? Para mim, coloca em perspectiva a forma como ouço música, vejo filmes, leio livros e em geral como apreendo qualquer tipo de manifestação cultural, por ínfima que seja, no meu quotidiano. E a fazer fé nas palavras do Professor Damásio, não chego a mais do que à constatação que vivemos absolutamente afogados num mar de muita quantidade e pouca qualidade, onde nem sobra tempo para apreciar realmente seja o que for.

Num tempo em que se continua a falar de novas tecnologias que ameaçam ser novas para sempre, é claro para todos que as distâncias foram radicalmente encurtadas, o que se tem revelado ser um "pau de dois bicos". É bom pois permite, por um lado, a democratização real da cultura em que toda a gente pode, com relativa facilidade, fazer ouvir a sua voz. É mau pela mesmíssima razão e apenas porque a capacidade de separar o trigo do joio começa a ser uma arte perdida.

Quero com isto dizer que não há menos trigo do que antigamente. A mentalidade do "dantes é que era" é ridícula e quem a defende definitivamente parou no tempo ou está demasiado amargurado com a vida - e todos sabemos, pelo menos quem não anda cá a dormir, que a vida está propícia a amarguras. O que há, na minha opinião, é mais joio, inevitável tendo em conta a facilidade que o YouTube, MySpace, ProTools e Cubase e outras coisas que tais vieram trazer. Qualquer um pode pegar numa guitarra, ouvir meia dúzia de bandas que diz venerar, aprender três acordes, ter um par de discos rígidos com a discografia de centenas de bandas - 95% dos quais ainda não teve sequer tempo de ouvir - e rapidamente se torna mais um a ajudar ao acumular de entulho sonoro. Estes seriam os que não subiam à tona de água sem o advento da tecnologia e das redes sociais e se me perguntarem, não se perdia nada. É sufocante constatar a quantidade irreal de bandas que se limitam a emular - mal - o som dos seus ídolos.

Como já disse, não sou do grupo do "dantes é que era", do partido da nostalgia. Mas entristece-me viver num mundo que acelerou de tal forma que nem nos deixa tempo para realmente assimilar emocionalmente aquilo que vivemos. Fast food fucking generation. Onde é que isto vai parar?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

E Tudo o Vendaval Levou


Isso é o que se vai ver - ou ouvir.

"Vendaval" é o título do aguardado novo álbum dos doomsters Portugueses Men Eater e tem data de lançamento marcada para o próximo 1 de Maio. São nada menos que 10 os concertos que a banda tem agendados durante esse mês, literalmente de norte a sul do país, uma vez que a tour começa no próprio dia de estreia do álbum em Loulé e acaba dia 30/05 no Porto-Rio, na Invicta. Refira-se que em todos estes concertos, a primeira parte estará a cargo dos também Portugueses Löbo, banda de Setúbal, uma das revelações do ano passado.

E se o "Vendaval" for tão bom como o "Hellstone", de 2007, então temos mesmo banda.
Update: Já estão duas musiquinhas novas disponíveis no MySpace da banda, acabadinhas de sair. A lembrar as partes mais ritmadas e mais imediatas de "Hellstone". Is that good? Or bad?

Feira do livro na FNAC!

Começa hoje a 1.ª Feira do Livro da Fnac. De 16 de Abril a 6 de Maio, a Fnac irá promover encontros com escritores, lançamentos e debates. Os livros terão descontos de 20 a 40 por cento.

Isto é uma crueldade! De cada vez que vou à loja (pelo menos uma vez por semana, é um vício), aguento-me o melhor que posso para não deixar lá o meu cartão multibanco, e agora fazem-me isto. Vou desgraçar-me…

More Basterds

Já anda por aí há uns dias mais um pequeno teaser de Inglourious Basterds, o próximo filme daquele realizador, o Tarantino. E como já vem sendo hábito, não mostra muito... que é como pertence.



quarta-feira, 15 de abril de 2009

Level 42 com filetes de pescada

Hoje o leitor de mp3 estava a aviar músicas que nem uma linha de montagem e eu comia filetes de pescada ao almoço quando de repente começam a vibrar nos tímpanos umas melodias giras, uma voz engraçada, uma banda fresca que nem uma alface algarvia apanhada antes do sol se levantar.

Eram os Level 42 com o albúm Retroglide. Pareciam os Primus se o Les Claypool não fosse tão esquisitinho... Pensei logo: serão mais parecidos com uns Primus sérios ou com o Jamiroquai num Irish Pub?

De qualquer das formas, vale a pena ouvir.

Da wikipedia:
"Level 42 is an English pop rock and jazz-funk band who had a number of worldwide and UK hits during the 1980s and 1990s. The band gained fame for its high-calibre musicianship - especially that of Mark King, whose percussive slap-bass guitar technique provided the driving groove of many of the band's hits."

Minsk em Lisboa


Os norte-americanos Minsk já tinham uma data marcada recentemente para o Porto, mas agora eis que surge a boa nova que também passam no dia anterior por Lisboa, no Transmission do Cais do Sodré. E ninguém melhor que os portugueses Process of Guilt (que tiveram pelos vistos a "ousadia" de praticamente eclipsar os A Storm of Light há dias em Oeiras) para banda de suporte. Highly recommended gig!

Bandas: Minsk + Process of Guilt + Ketha
Data: 4 de Maio
Local: Transmission (Cais do Sodré)
Bilhetes: 8€ com reserva/ 10€ no dia
Reservas: ritualsom@gmail.com

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Silver Screen: Experienciar o cinema

Em 1895 os irmãos Lumiére apresentaram o primeiro filme para o qual foi cobrado um bilhete. Na verdade era uma sessão que incluía uma série de curtas (1 minuto ou menos) metragens. Este tipo de experiência de cinema ainda existe nos nossos dias, em salas maiores do que o celeiro dos Lumiére, com filmes que rondam as duas horas mas é essencialmente o mesmo modelo: alguém paga para entrar num espaço onde lhe é apresentado um filme, projectado em ecrã para todos os presentes.

Entretanto (meados do s]eculo XX) surgiu a TV que também exibia filmes e mais tarde o vídeo permitiu a toda a gente fazer os seus próprios filmes, alugar filmes e até gravar em cassetes de fita magnética os filmes que passavam na TV ou que se trazia do videoclube.

Sem entrar em pormenores de cronologia e de suportes (há pelo meio vários formatos de cassete e o laser disc, etc) podemos dizer que mais tarde surgiu o DVD, que evitou a perda de qualidade na gravação, na cópia e no visionamento. O DVD permite ver o filme com uma qualidade próxima do que a sala de cinema permite e, para quem tem sistemas de som multi-direccionais, usufruir da experiência sonora que a sala de cinema nos dá. O blu ray vem trazer uma definição ainda melhor à imagem; melhor até do que o 35mm/24hz, o que não agrada a toda a gente...

Depois de tanta melhoria na experiência e qualidade, depois de sair das grandes salas de cinema para as salas de estar dos lares...

...chega a internet e o download de filmes. Para tal é preciso muitas vezes comprimir o filme, o que resulta em qualidades inferiores à do DVD... parece ser um retrocesso mas há uma novidade: de forma quase sempre ilegal o filme chega até ao espectador mais rapidamente do que chegaria na TV, em K7 ou DVD. Pode até chegar mais rapidamente do que chegaria no cinema! E é aqui que surge o problema... há uma vasta equipa a trabalhar num filme e muitos têm acesso ao filme, uns em fases intermédias outros em fases finais. Uma versão de trabalho pode sair para a rede e ser distribuída, em poucas horas, por todo o planeta. As pessoas visionam e criticam o filme, o filme já chega gasto de tanto comentário às salas de cinema, etc.

Serve esta longa dissertação não para afirmar a minha posição mas para provocar os leitores do 24Hz:
1 - A experiência de sala de estar, com DVD/BluRay/HD-DVD,Video On Demand, etc, substitui a sala de cinema?
2 - O que é que uma tem que a outra não tem?
3 - A internet substitui alguma das duas?
4 - A antecipação do visionamento de um filme não é prejudicial à experiência do cinema?
5 - A compressão dos filmes ou o facto de serem disponibilizadas versões pré-finais não prejudicam todas as partes do filme? (produção, distribuição e consumidores)
6 - Que futuro para a distribuição / experiência de cinema?

Note-se que deixo de fora a questão dos formatos DVD/BluRay ou da película/digital ou mesmo 2d/3d; a questão colocada aqui prende-se com o conceito de distribuição e recepção, seja qual for o formato.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

What's Up?

Não, não é o anúncio da Budweiser - ai, gaita, não podemos fazer publicidade - mas apenas um post tipo Estado da Nação, rapidinho que é como pertence.

Os Posters Desaparecidos


O infame caso dos posters desaparecidos parece ter sido finalmente resolvido. Se não for tanto melhor porque é da maneira que processaremos bárbaramente os CTT e ficaremos todos ricos, vocês incluídos, caros leitores. (A coisa boa de termos só uma dúzia de leitores ou assim é que podemos dividir irmamente os ganhos neste tipo de coisas. Já que estamos nisto, que tal um Euromilhões à sociedade? Kidding.)

Mas aqui a questão fundamental é: Carlos, já enviámos os posters!! =)

Falando mais a sério, os posters foram enviados e esperamos que o transporte, se não meigo, que seja pelo menos pouco rude. É que não encontrámos mesmo maneira de acomodar os ditos cujos de uma maneira bullet-proof e que não nos levasse à falência. Até o 24Hz ter um patrocínio à maneira para estas coisas, vamos ter de ter de nos aguentar assim. Pedimos aos consagrados, já agora, que acusem a recepção dos posters, o que deverá acontecer lá para meio da próxima semana, tendo em conta os feriados, etc. E no caso de algum dos posters chegar manifestamente em más condições, queremos saber disso e corrigir a situação logo que possível.

Rubricas @ 24Hz

Desde a passada terça-feira que o 24Hz conta com rubricas periódicas, com dias específicos. Esperamos que esta seja uma iniciativa para durar, dentro da nossa maior boa vontade, e sobretudo que seja do vosso agrado. No fundo, sem fugir aos temas habituais - que já de si são bastante liberais no seu âmbito - a novidade prende-se com o facto de termos dias fixos:

Silver Screen: Cinema às Segundas
Power Chords: Música às Terças
Deadwood: Literatura às Quartas
Tubed: Televisão às Sextas

Esta última rúbrica será, ao que tudo indica, nos tempos mais próximos, dedicada em exclusivo à série Lost, infame coisa bastante apreciada por estas bandas. Até temos um resident Lost expert cá no tasco, vejam bem!

Face Lift

Abrimos a porta no início deste ano e confessamos que foi um pouco à pressa. O desenho do site que aqui vêem é simples, funcional mas convenhamos que deixa um pouco a desejar em termos estéticos. Estamos a trabalhar num novo aspecto aqui para a associação que estará pronto quando estiver pronto. Que é como quem diz.. sem pressas. Stay tuned!

Sugestões e comentários como sempre particularmente bem-vindos no sentido de melhorar este nosso/vosso blog.

E agora para vos recompensar a pachorra de terem lido este post aborrecidíssimo, tomem lá o Les Claypool dos Primus a tocar a intro do Master of Puppets no baixo:

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Deadwood: "The Testament" ~ John Grisham

Comecei a ler Grisham por acidente há mais de uma década, num dos Livros Condensados das Selecções Reader's Digest (ou seria do Círculo dos Leitores?). Não fazia a mais pálida ideia quem era este autor e ainda menos me recordo por que raio peguei naquele livro e naquela estória em particular e não noutra qualquer. Era a primeira vez que lia ficção que se passava em tribunais e à volta deles, com advogados, réus, juris e juízes e fiquei fascinado. Talvez este tenha sido o momento decisivo a partir do qual desenvolvi uma predilecção especial pelos chamados courtroom dramas. O responsável era este tal de Grisham. E eu estava a gostar disto.

Ou seja, ler Grisham é a minha versão de telenovela. Não se aprende grande coisa, há umas tramóias mais ou menos engraçadas, uns personagens interessantes. E é muito, mas muito viciante. A fórmula, pelo mesmo no que aos seus thrillers de ficção legal diz respeito, é bastante simples: uma personagem principal forte, geralmente advogado, agressivo em tribunal, com quem se simpatize com facilidade e por quem se torça ao longo dos acontecimentos. Uma série de advogados, variável em número e género, por vezes em conluio com o juíz, que constituem o "eixo do Mal" e que defendem os interesses da América capitalista. E possívelmente alguma vítima no meio que ou sofreu um acidente, ou tem uma doença má ou uma triste combinação de ambas as coisas.

Onde "The Testament" se destaca é conseguir manter o estilo page turner que sempre caracterizou Grisham ao mesmo tempo que foge marcadamente ao argumento do parágrafo anterior. E também porque tem o melhor primeiro capítulo da história dos primeiros capítulos, onde assistimos aos últimos momentos de alguém poderoso, com meia dúzia de herdeiros execráveis resultado de vários casamentos. Nada de particularmente interessante, não fosse o dito senhor deixar em testamento a sua fortuna de onze biliões de dólares. E o chato é que a fortuna vai praticamente toda direitinha para uma filha bastarda de quem nunca se ouviu falar e sabe-se lá onde ela anda. "The Testament" é então a procura pela filha desaparecida, a ganância dos herdeiros (e dos seus advogados) que afinal de contas acabam por não o ser e incidentalmente a estória de vida de um advogado que já passou por quatro desintoxicações.

É em John Grisham o livro que mais abertamente visa a temática religiosa mas não de uma forma repelente para um ateu como eu. Tudo o que envolve o testamento é interessante de seguir mas é a personagem de Nate, o advogado alcoóletra inveterado à procura de redenção que mais fascina. No fim, Grisham não consegue surpreender porque acaba a ser previsível, o que retira uma estrelinha à pontuação final. Mas não deixa de ser um bom livro, que vale a pena saborear para quem gosta de uma boa aventura e dessas coisas aborrecidíssimas que são os tribunais e estórias de julgamentos.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Power Chord: OSI - Blood (2009)

“Run run…
you gotta run to meet your men”

É assim que Kevin Moore, o homem pacato de Chroma Key, abre o novo álbum de OSI, naquele “gritar” sussurrado e pacífico que lhe é característico. A música até pede alguém que grite mas Kevin Moore seria o último a gritar numa música, nem que só restassem os Slipknot para o homem cantar.

Kevin é referido muitas vezes como ex teclista de Dream Theater mas a verdade é que se trata do criador de Chroma Key, uma espécie de antítese de Dream Theater: nada de velocidade, pouca técnica e virtuosismo, muita melancolia e angústia.

Ora tínhamos tese e antítese, falta só a síntese…

E é disso que OSI trata, uma fusão inteligente entre a melancolia de Chroma Key e a guitarra pesada de Jim Matheos (Fates Warning). Em 2003 saiu Office of Strategic Influence, álbum com o nome de uma agência mais ou menos obscura do Pentágono que visava espalhar contra informação sobre o esforço anti-terrorista americano. O pós-11/09/2001 dava o tema a OSI, com a contra informação abordada constantemente no primeiro álbum.

Em 2006 sai o Free e o tema mantém-se embora de forma menos evidente. Para quem ouviu a edição especial de dois discos é notória a referência aos métodos obscuros do Pentágono (primeiras palavras do CD2: “First of all let me ask you how are you / Not very good – I was ilegally arrested…”

Em 2009 Blood dá continuidade ao trabalho de OSI e volta a tratar da guerra em geral, da guerra anti-terrorista em particular. As letras que falam de telefonemas para casa a partir da Green Zone deixam perceber que ainda estamos no Iraque, sempre acompanhados da ironia – as letras trazem um toque mordaz tão subtil que não chega a ter marca política – isso fica para o ouvinte.

OSI é um projecto com aspirações a banda, como os dois mentores o definiram um dia. A verdade é que se trata de uma dupla que fez mais do que juntarem os seus trabalhos para obter uma mistura dos dois. Em OSI o todo é mais do que a soma das partes e o que ouvimos não é apenas Chroma Key misturado com Fates Warning, é algo novo, fresco e interessante. Por vezes é rock para quem não gosta de rock, outras vezes é electrónica para quem até nem ouvia electrónica e o resultado é música rica em complexidade e mistério.

A textura e complexidade dos três álbuns mostram que cada som é cuidadosamente escolhido e colocado na mistura, cada sample tem o seu significado para decifrar. OSI ainda não é uma banda, mas já nos deu três álbuns todos eles com uma longevidade imensa porque podem sempre ser ouvidos de novo para se captar um som mais escondido, para se decifrar um novo significado, para perceber uma gravação de rádio em que ainda não tínhamos reparado, etc.

Para quem seguiu a curta saga de OSI é notório o contributo de Gavin Harrison em Blood. Estreante em OSI, Harrison trouxe com ele toda a dinâmica que aplica em Porcupine Tree e permitiu que se fizesse “Microburst alert”, a música mais dançável de todo o catálogo de OSI.

Por falar em convidados…

Kevin agarrou o microfone de OSI desde a primeira hora, dando aos álbuns aquela voz característica de zombie lúcido mas mostrou desde a primeira hora que havia espaço para vocalistas convidados. Convidar músicos é coisa comum; menos comum é chamar vocalistas; e raro é chamarem-se vocalistas que são mais conhecidos e mais habilidosos, “de uma liga superior”, como foi o caso de Steven Wilson no primeiro álbum e como é o caso de Mikael Åkerfeldt neste terceiro. Espantoso é que tanto um como outro pareçam ficar tão bem em OSI que nem nos lembramos que são apenas convidados.

Blood serve tão bem como Free ou Office Of Strategic Influence para entrar no admirável mundo de OSI - experimentem.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Killing In The Name Of

É repudiante a forma como quaisquer tentativas de fazer algo pela música que seja genuíno e intelectualmente honesto neste pequenino país redundam sistematicamente em más vontades, aproveitamento de terceiros e na mais pura e simples desonestidade. Bares, associações, promotoras, bandas... não interessa a natureza da entidade, basta que seja de alguma forma contra-corrente e que faça frente ao establishment. É uma questão de tempo, até que se vejam forçados, sem alternativas, a fechar o tasco.

Quem me conhece de perto já terá certamente ouvido da minha parte elogios para com a Amplificasom, promotora recente do Porto, que tem feito a sua quota parte por promover a boa música na Invicta, marcando inclusivamente tours inteiras de bandas que provavelmente, de outra forma, nunca chegariam aos ouvidos dos portugueses. Tudo parecia correr bem, concertos cada vez mais preciosos a acontecer em diversos locais do Porto, bandas como os japoneses Boris, os Russian Circles, os Nadja, os A Silver Mt. Zion, os Secret Chiefs 3, os Capricorns, os Pelican, ainda há dias os míticos Earth e no último fim de semana, os norte-americanos A Storm of Light. Já para não falar do promoverem um espaço para verdadeiros músicos Portugueses (notai a maiúscula, daqueles que não andam 30 anos a gravar o mesmo álbum), como os Löbo, os Catacombe, os Katabatic, os Men Eater, etc etc.

Mas chegam agora os primeiros sinais de castração. Explicam o André e o Jorge, da Amplificasom, num post que tomo a liberdade de transcrever na íntegra:

Olá a todos,

É neste dia chuvoso e triste que vos decidimos escrever, temos algumas coisas para partilhar convosco.

Como muitos de vocês sabem, a Amplificasom apenas surgiu pela enorme vontade que tanto eu como o Jorge tínhamos (e temos) em ver as nossas bandas preferidas aqui na nossa cidade, no nosso país. Quem repara na relação preço dos bilhetes/ qualidade das bandas e no facto da Amplificasom não ter qualquer tipo de apoio, fundos ou patrocínios sabe que apenas dependemos da bilheteira e que ao fim da noite, com todas as despesas e responsabilidades, seria impossível ganhar o que quer que fosse. Mesmo que ganhassemos, duvido que pagasse todo o nosso empenho e dedicação, MAS infelizmente nem todos estamos no mesmo caminho, nem todos estamos nisto pela MÚSICA.

É com revolta e frustração que vos informamos que uma tal organização prevista na lei e que se auto denomina como protectora dos direitos de autor exigiu licenças para os próximos concertos da Amplificasom. Não somos incumpridores, não queremos o mundo à nossa maneira, mas a partir do momento em que uma licença para um concerto custa mais do que o cachet da banda então é porque algo está errado e devia ser revisto. Essa tal organização privada tem uma maneira de trabalhar bastante duvidosa e apesar de ser contestada por muitos não há maneira de os fazer parar. Quem está no meio sabe que bandas como os A Storm of Light (que sábado deram um concertaço enorme), por exemplo, nunca receberão um tostão relacionado com os direitos de autor, todo esse dinheiro vai para os "chicos fininhos" deste país e sabe-se lá mais para quê. Enfim, não me vou adiantar muito mais até para não vos maçar. Quero-vos apenas relembrar que nós na Amplificasom AMAMOS E RESPIRAMOS música, estamos nisto pelo som e as bandas são sempre a nossa prioridade, simplesmente não fazemos milagres (se calhar até já fizemos alguns) e sendo assim temos algumas alterações para vos anunciar:

- Os bilhetes para This Will Destroy You terão um preço mínimo de 10€ e não 8€ como estava estipulado (lá está, temos que tirar uma licença mais cara do que o cachet e ao mesmo tempo não aumentar muito o preço pois vocês não têm culpa). Quem já reservou, sintam-se livres para cancelar, quem ainda não reservou e tenciona ir então reservem-no o mais breve possível.

- Nós e a Lovers decidimos cancelar o concerto de Jarboe + Black Sun. É impossível garantirmos todas as condições que alguém como a ex-Swans merece e depois ainda pagarmos a treta do costume. Esqueçam, neste campeonato não dá.

- Desde a passada quinta-feira que temos confirmado um daqueles concertos pequenos mas gostosos para o dia 5 de Maio. Com a desmotivação que estamos, hoje não teríamos acordado trazê-los cá nem marcado cinco datas ibéricas, mas agora já lhes demos a nossa palavra e contamos convosco para que corra bem. É uma banda de pós-metal da Relapse, daremos mais novidades no blog dentro de dias.

- É provável que o concerto dos suecos Kongh (16 de Maio) seja o último durante algum tempo. Estamos cheios de ideias para o futuro, projectos com malta com a qual nos identificamos e até temos concertos já confirmados para Outubro, mas hoje sentimo-nos amargos e traídos depois de tudo o que temos dado e feito pela música ao vivo nesta cidade. Bem, logo se vê...

Até breve.

Abraço,
André e Jorge (Amplificasom)

Perdoem-me a amargura e o mau feitio mas sinceramente, será que este país merece outra coisa? Para merecer teria de haver uma consciência colectiva que puxasse para outro sentido que não este. Mas numa cultura de "laissez-faire" onde os Tonys (e os Mickaéis) Carreiras enchem Coliseus e Atlânticos, não se pode esperar qualquer grito de revolta. O que há, é demasiado lá ao fundo e prontamente abafado, como se vê.

Pessoalmente, é óbvio que qualquer respeito que tivesse pelo Miguel Guedes e os outros como ele, foi pelo cano abaixo.

Tempos negros...

domingo, 5 de abril de 2009

Negative Creep

Difícil acreditar que já lá vão 15 anos desde a morte de Kurt Cobain, lendário (quer se goste quer não) vocalista e guitarrista dos lendários (quer se goste, quer não) Nirvana. Cobain pôs cobro à própria vida a 5 de Abril de 1994.

Não posso dizer que tenha sido um fã die-hard dos Nirvana desde o começo, digamos por volta de 1987, mas ouvia bastante por alturas da morte do Kurt e depois como verdadeiro militante a partir de 1999 durante um largo período de tempo, muito por influência directa de um grande amigo. Desde essa altura, passei por várias mudanças no meu gosto musical, juntando sempre ao que já gostava e nunca passando a detestar o que anteriormente me dava prazer ouvir. Nesse sentido, acabei por me encontrar a data altura completamente submerso no rock e metal progressivo mas os Nirvana foram sempre uma paixão desde que ganharam para mim esse estatuto. E, independentemente do que se passa ou do que possa andar a ouvir em determinada altura, há um sentimento de euforia sempre que ponho a tocar um disco dos Nirvana, seja a aspereza de Bleach, o punk pop perfeito de Nevermind, a maluqueira dos lados B do Incesticide, a intimidade de In Utero ou a compilação de faixas ao vivo perfeita que constitui From The Muddy Banks of the Wishkah, este último já lançado depois da morte do Kurt.

Os Nirvana podem bem ser uma das bandas mais adoradas, e ao mesmo tempo mais odiadas, que alguma vez pisou o planeta e Kurt Cobain como seu líder foi uma das figuras mais controversas de sempre do rock. Génio ou drogado? Não faço puta ideia. Só sei que a música que ele e os amiguinhos dele fizeram fazem-me sentir vivo cada vez que a ouço. Que se lixe o resto.