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domingo, 31 de maio de 2009

Black Bombaim @ Évora, Sociedade Harmonia Eborense


Eu já tinha ouvido falar bem, eu já tinha ouvido qualquer coisa online e eu sabia mais ou menos ao que ia. Sabia também que em fim de semana de queima não ia encontrar grande público na Sociedade Harmonia Eborense (S.H.E.), mas sabia que fosse como fosse, era rock 'n roll. Não sabia é que estes três miúdos eram capazes de vir de Barcelos até ao Alentejo dar uma pastilha sonora impressionante a quem teve a sorte de os ver ontem ao vivo num edíficio com 160 anos de história.

Infelizmente não apanhei o concerto dos Glockenwise e já cheguei com o set dos Black Bombaim recém-começado. A primeira impressão era que estavam a fazer uma barulheira do caraças, e estavam, pois a sala da S.H.E. não é propriamente a mais benevolente em termos acústicos, pelo que para que os instrumentos se ouçam perante uma bateria bem barulhenta, é preciso que esteja tudo muito alto. Foi no entanto uma questão dos ouvidos se habituarem à tareia para que percebesse que ali há muito Kyuss, muito Karma to Burn, muito Blue Cheer, enfim, muito desert, stoner e psych, tudo misturado em doses inteligentes e debitadas com muito coração por estes miúdos. Só foi pena que realmente o set não tenha sido um pouquinho mais longo, porque a trip estava mesmo interessante.

A rever... e quem sabe não os teremos novamente cá por baixo em breve, num cartaz apelativo? Stay tuned for more happy days... ;)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Kongh @ Fábrica de Som, Porto

[ Fotos: Jorge Silva, Amplificasom ]

Custou, mas foi. Estreei-me finalmente numa noite Amplificasom, estreia essa que se deu com o concerto dos suecos Kongh na Invicta. Sendo visto como um concerto "low-cost" pela própria organização, diria que o "low" apenas se refere mesmo ao "cost" e talvez à relativamente fraca afluência de público na Fábrica de Som nesta noite de Sábado. De resto não houve nada de "low" nem no concerto dos Kongh, nem no bom ambiente que se viveu.


O sludge destes suecos resultou particularmente bem ao vivo, tanto na familiaridade com as canções de Counting The Heartbeats como sobretudo com a pujança inacreditável das novas malhas de Shadows of the Shapeless, que aliás já se encontrava à venda na mini banca de merch em virtude de ter sido lançado oficialmente na véspera do concerto.

E em relação a esse novo registo, diria que pelo que se viu ao vivo e pelo que já tive oportunidade de ouvir em disco entretanto, os Kongh denotam uma marcada evolução. Não que o álbum anterior sofresse de qualquer problema grave - antes pelo contrário - mas Shadows of the Shapeless leva a banda para outro nível, com maior liberdade de expressão, um som mais refinado e sobretudo um melhor controlo da dinâmica alto/baixo, ruidoso/calmo que tanto caracteriza o som deles. Dentro do género, não terei grandes dúvidas que este novo álbum coloca os Kongh num lugar de destaque.


E como estes concertos costumam proporcionar uma proximidade com as bandas que não é comum noutras andanças, há que referir a simpatia da banda que demonstrou, à semelhança de tantas outras que vou referindo neste blog, uma grande humildade e um grande gosto pelo que fazem. Dizem-me que são capazes de regressar ao nosso país daqui a não muito tempo e quem não os viu, faça favor de não os perder da próxima vez. É que da Suécia só vem coisa boa.

Um muito OBRIGADO ao André e ao Jorge da Amplificasom, bem como ao Pedro da Ritual Som e ao Filipe da enoughrecords, pela simpatia com que me receberam lá em cima! Keep on rocking, you guys! Pode ser que tenha sido o dia zero de mais coisas fixes a acontecer. ;)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Easy Like Sunday Morning


Não é numa manhã de Domingo mas sim numa noite de Sábado, 8 de Agosto, que os ditos cujos voltam a Portugal para actuar no Sudoeste. As lamentações pelo regresso se dar num festival seguem dentro de momentos.

domingo, 17 de maio de 2009

O Porco Espinho Regressa


Relativamente pouco tempo depois da última aparição em Portugal, os britânicos Porcupine Tree regressam para nova aparição em dose dupla:

20 de Novembro - Incrível Almadense, Almada
21 de Novembro - Teatro Sá da Bandeira, Porto



sexta-feira, 8 de maio de 2009

Kongh no Porto: Falta Uma Semana

Os suecos Kongh são a típica banda que ninguém conhece... excepto aqueles que adoram. Pela mão da Amplificasom, eles vêm ao Porto numa de partir tudo e incidentalmente apresentar o novo trabalho Shadows of the Shapeless, com data de lançamento marcada para a véspera deste concerto (banda de abertura ainda por saber):


Definir o som de Kongh é tarefa complicada pelo que o melhor, se a curiosidade assim incentivar, é uma visitinha ao MySpace destes camaradas. Se Shadows of the Shapeless acabar por se revelar ainda melhor que o anterior registo, Counting The Heartbeats, então temos mesmo banda. Bah, fuck it, já temos, alguém tem dúvidas? O 24Hz vai estar lá para contar como foi.

Kongh @ Fábrica de Som, Porto
Brought to you by Amplificasom
EUR 6,00
Reservas: amplificasom (at) gmail.com


quinta-feira, 7 de maio de 2009

Minsk + Process of Guilt @ Transmission, Lisboa

[ OK, mais vale tarde que nunca... ]

Dois é bom, três é demais. Não sei se o adágio faria sentido nesta noite mas a verdade é que os polacos Ketha não apareceram e ninguém lhes sentiu a falta. Problemas técnicos deixaram-nos a meio caminho entre Madrid e Lisboa e se por um lado nunca saberemos se teriam trazido valor acrescentado a esta noite, a verdade é que também o espectáculo não sofreu por causa disso.

Ou melhor, não sofreu muito, já que os Minsk acabaram por se atrasar por motivos relacionados, ao que consta, pelo que o soundcheck começou bem tarde e o concerto acabou por ter início já perto das 23:00, com os Process of Guilt a ter o incómodo de ter fazer o seu som já com o público dentro do bar.

Mas de que interessa isso tudo, quando as bandas que vão realmente tocar não o sabem fazer mal? Foi o caso da noite de segunda-feira no Transmission - um bar pequeníssimo, com condições bastante sofríveis para concertos. No entanto, se por um lado assim é de facto, por outro acho que os presentes poderão dizer que assistiram a um concerto histórico: duvido que se volte a ver Minsk por cá num sítio assim, com este tipo de intimidade. Mas já lá vamos a esses malucos norte-americanos.

Os Process of Guilt, banda de Évora que eu sobejamente elogio neste blog, demostraram o rigor, humildade e empenho do costume. Desta vez, ao contrário do concerto do mês passado em Oeiras não houve "Becoming Light" para ninguém, mas para compensar o concerto começou com a "Motionless", primeiro tema do álbum Renounce. Escusado será dizer que foi um início devastador e mais assim foi quando a partir daí a banda lançou-se em quatro (?) novos temas, que farão parte do próximo registo Erosion, que se espera veja a luz do dia ainda durante este mês de Maio. A ideia que ficou do concerto no Teatro Independente de Oeiras foi que os Process of Guilt eclipsaram de alguma forma os A Storm of Light. Desta vez, apesar da actuação da banda eborense não ter ficado certamente a dever nada a esse concerto - as músicas novas são absolutamente avassaladoras ao vivo - seria bastante difícil fazer sombra a estes Minsk.

E porquê? Bom, simplesmente porque os Minsk deram um concerto a todos os títulos notável. Começaram logo bem com um quarto de horazinho de improviso desse grande maluco que é Bruce Lamont, introdução essa que fluiu com a maior naturalidade para a actuação dos Minsk, sem interrupções, e logo para o portento que é a "Ceremony Ek Stasis", última faixa do The Ritual Fires of Abandonment. Os Minsk, que também têm álbum novo na calha para este mês (dia 26 de Maio para ser mais preciso), tocaram igualmente música nova, tão boa ou melhor que tudo o que já havia para trás.

Da minha parte, que sou bastante pacífico e por vezes sobre-analítico a ver concertos, o melhor elogio que posso fazer aos Minsk é que ali a meio do set deles fechei os olhos e deixei-me levar num transe magnífico, apenas entrecortado por momentos de obrigatório (e violento) headbanging. De recordação ficam uma belas dores de pescoço e um final de concerto alongado com os músicos a abandonarem progressivamente o palco, um após o outro, com especialmente incidência para o magnífico trabalho (durante todo o concerto, diga-se em boa verdade) do baterista Anthony Couri. Que animal a tocar e muita da magia de Minsk se deve certamente aos ritmos tribais poderosíssimos que ele toca o tempo todo.
Por mero acaso, levei uma t-shirt de Tool vestida e o Anthony Couri já cá fora apontou para ela e disse-me que o Danny Carey (baterista dos Tool) é o baterista preferido dele e uma grande influência. Makes sense.

Embora todos os músicos tenham estado a grande nível - Process of Guilt incluídos - uma nota de saliência para Bruce Lamont que tanto a solo, como ao lado dos Minsk, demonstrou uma classe e um carisma só ao nível de alguns. E até fora do palco demostrou as qualidades dos melhores, com uma grande humildade e boa disposição, ele que estava a cargo da banca de merch dos Minsk e a quem devo ter vindo para casa com uma cópia raríssima do primeiro disco dos Yakuza.

Aliás, e para terminar que isto já vai longo, é refrescante assistir a concertos em que toda a gente está ali pelo amor à música e pelo gozo que derivam de estar em tour e apresentar o seu trabalho, sem subterfúgios de qualquer espécie. Deixei o convívio deles por volta das 4 da manhã mas consta que às 5 ainda queriam ir para a praia (!), segundo o promotor deste concerto que os acompanhou, o Pedro da RitualSom (kudos to you, man! Great job.) Acho que ficam com uma ideia...

Noite de verão magnífica no Transmission daquelas que certamente ficam por muitos e bons anos na memória de quem lá esteve. Souvenirs (cortesia de oaktree555):






segunda-feira, 4 de maio de 2009

Não Vai Ficar Pedra Sobre Pedra...

É já hoje à noite no Transmission Bar, no Cais do Sodré, que os Minsk vão dar o que vai ser obviamente um concertaço do arco da velha, com os Process of Guilt a ajudar e sem esquecer os polacos Ketha.

E para tornar as coisas ainda mais apetitosas, Bruce Lamont anda em tour com os Minsk e quem sabe não irá fazer um pequeno solo spot antes da actuação deles?

Com o balanço que tanto os Minsk como os Process of Guilt estão a revelar, talvez seja histórico assistir a um concerto destes num sítio minúsculo como é o Transmission, com toda a intimidade que isso traz. Não faço ideia se já esgotou - é provável que sim - mas sugiro vivamente que quem goste deste tipo de som vá assistir. As portas abrem às 21h00. Vai ser ducaneco.

Sirvam-se por favor os aperitivos...





domingo, 3 de maio de 2009

Grey Daturas + Caveira @ ZDB


Sábado à noite, Bairro Alto a rebentar pelas costuras e três australianos na ZDB a dar revolução sonora ao pessoal. Foi mais ou menos assim que se passou ontem à noite, não sem antes o duo Português Caveira ter dado início às hostilidades.

Tomaram o palco de repente era já quase meia noite. Pedro Gomes pegou na guitarra, virou costas ao público e lançou-se em 40 minutos de distorção feia, porca e má. Qualquer semelhança com ritmo era quase sempre ilusória e a dissonância foi a palavra de ordem. No fundo, uns três quartos de hora de desvario que, para alminhas atormentadas como a minha e as de outros como eu, seria provavelmente auto-suficiente.

Mas os Caveira são também Joaquim Albergaria na bateria (minimalista, diga-se) que dá o ritmo e a imaginação para que em suma a coisa realmente resulte. Joaquim suou a bom suar, mas trouxe pedaços de bom stoner e bom sludge, sempre não mais que um teaser curto, porque rapidamente o improviso seguia para outro lado. Construções e desconstruções incessantes, em que cada um dos músicos alimentava-se do que o outro lhe dava num loop de feedback positivo que prendeu a atenção dos presentes. Só foi pena a puta da atitude - bem portuguesa - de mal se dignarem a assistir ao concerto da banda principal da noite. Ficava-lhes bem.

Banda essa que era obviamente os Australianos Grey Daturas. A cerca de 9000 km de casa, tendo tocado em Barroselas na noite anterior, notava-se neles o cansaço da estrada mas a boa disposição, humildade e vontade de tocar não se desvaneceram por isso. Com uma bancazinha de merchandise recheada de coisas boas (incluíndo splits em LP e 7" e mesmo minúsculos business CDs com artwork literalmente caseiro) e gerida pela própria banda, os Grey Daturas tocaram praticamente non-stop também eles durante cerca de 40 minutos, mostrando ser claramente um exemplo dos que ao vivo se transcendem perante o que têm registado em disco. Foram então 40 minutos do que soou a um improviso perfeitamente conseguido, em que os dois Roberts da banda alternaram na bateria, baixo e guitarra, e Bonnie - o rosto feminino da banda - debitou distorção sem parar da sua Fender Jaguar.

Ficou bem patente na ZDB que este tipo de música tem tanto de repetitivo como de variável. Repetitivo, pois são de facto muitos minutos a bater repetidamente na mesma tecla emocional. É muito drone, muito noise, muito ambiente, muito transe. Variável porque, numa observação mais atenta, esse mesmo drone está em constante mutação, nunca regressando a qualquer ponto anterior. Os Grey Daturas são notoriamente influenciados por sonoridades bem diversas - pude com eles trocar impressões sobre o quanto todos gostamos do death metal old school a la Obituary, Carcass, Pestilence, etc - e, no caso deles, o que sai desse caldo é este drone abrasivo que tão bem soou na ZDB. Foi estranho vê-los acabar de repente ao fim de tão pouco tempo, mas como me dizia o Robert baixista/baterista, "better leaving people wanting more than having them desire less".

Wise words.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Minsk em Lisboa


Os norte-americanos Minsk já tinham uma data marcada recentemente para o Porto, mas agora eis que surge a boa nova que também passam no dia anterior por Lisboa, no Transmission do Cais do Sodré. E ninguém melhor que os portugueses Process of Guilt (que tiveram pelos vistos a "ousadia" de praticamente eclipsar os A Storm of Light há dias em Oeiras) para banda de suporte. Highly recommended gig!

Bandas: Minsk + Process of Guilt + Ketha
Data: 4 de Maio
Local: Transmission (Cais do Sodré)
Bilhetes: 8€ com reserva/ 10€ no dia
Reservas: ritualsom@gmail.com