Depois da discussão que tivemos sobre a sublime voz de Jeff Buckley, não podia deixar de partilhar as palavras de Chris Cornell sobre o músico, na Rolling Stone de Novembro do ano passado, no artigo "100 Greatest Singers of all time". (E estou a copiar isto ao som de "Lilac Wine", a minha preferida)
"Hearing Jeff's "Live at Sin-é" EP was one of those moments that happens only a few times in your life as a music fan - it was something otherworldly, and he shocked me with the depth of talent he displayed.
I can't compare his voice to anything - he had such an unusual breadth of influences, from Sonic Youth to Edit Piaf. Jeff and I became friends, and when we performed together, I would watch him and try to figure out things - like, "How is it possible that he's holding that note that long?
But you can talk all day about technical aspects, and you get nowhere. Jeff had the ability to sing a cappella in almost a whisper in a packed club environment and be able to hear a pin drop - that's not about technical ability, that's something else.
There was an almost punk-rock tenacity to the way he would force you to listen to the effeminate side of his voice. I saw shows with a room full of guys wearing flannel shirts, and he would bring a song down to him singing vocal runs a cappella. He would keep doing it to the point that it was beyond discomfort for these guys who were all standing there trying to be tough. You would be uncomfortable for so long that you would then have this rejuvenation and discovery that this guy was fearless. Listening to him sing - it's one of those indications that the human race isn't all bad and life is worth living and there is beauty and brilliance in humanity".
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Scotty Moorhead
Tenho andado a ouvir umas coisas meio dúbias e decidi pôr em pratos limpos a minha opinião sobre este assunto. Do princípio:Cresceu com o nome do seu padrasto. Scotty Moorhead era como o apelidavam os colegas de escola, professores e família.
O mundo conheceu pelo nome que adoptou, melhor, reviveu aquando da morte do seu pai biológico, Tim Buckley.
Jeff Buckley começou a sua “vida” nos bares da East Village em Nova Iorque, em particular, num pequeno estabelecimento irlandês tornado altar pelos seus fãs: o Sin-é. Fazia o que faz melhor: interpretar temas dos seus ídolos. Led Zepellin, Nina Simone, Morissey e The Smiths.
Foi quando começou a ouvir música religiosa paquistanesa, especificamente Nusrat Fateh Ali Khan que a sua tendência musical começou a expandir fronteiras. Bebia de Robert Johnson e os seus Blues de 1935 e da banda de punk Hardcore Bad Brains, Siouxie Sioux e, obviamente, Leonard Cohen.
Conheceu Gary Lucas e começaram a gravar juntos o que viria a ser o inicio de Grace.
Morreu quando decidiu nadar no Mississípi totalmente vestido.
A primeira vez que ouvi Jeff Buckley estava a comer uma sandwich de queijo. A sandwich não é importante mas o facto de eu me lembrar o que comia mostra o quão importante foi para mim. A música era a rendição do Hallelujah de Leonard Cohen.
A grande mística de Jeff Buckley não vem do facto de ter morrido. Definitivamente vem da rareza envolvida na sua música. Claro que a grande mais-valia da sua música é a voz enfeitiçada de Buckley. Mas o que me fascinou, a ponto de me incentivar a tocar guitarra todos os dias, todo o dia, foi o estranho som que este músico retirava daquelas seis cordas de cobre. Os acordes bizarramente harmoniosos e as progressões catárticas com que Jeff recheia as suas canções são precisamente o que, aliado à sua voz sirénica, puxam tantos navegadores para os rochedos que são Sketches for My Sweetheart, the Drunk e Grace.

A morte de Jeff Buckley trouxe alguma benesse para a Columbia Records, isso sim. Para nós, apenas nos privou de um fantástico artista. A ele, ceifou um que era o começo de exponencial crescimento na sensibilidade musical que já tinha pedido emprestado aos seus novos heróis. Era um interpretador. Todo aquele potencial que tinha para reinventar músicas de outros poderia ser transformado em originalidade divina. Agora nunca o saberemos.
Não estamos a falar de Kurt Cobain nem de Jim Morrisson. Estamos a falar de um artista cujos ídolos o idolatraram postumamente.
A melhor definição que já ouvi sobre a música de Jeff:
“…um rapaz do coro que canta de um canto num bordel…”
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