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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Blast From The Past #1 - 1989

Como nem só de novidades se faz um blog e como três foi a conta que dEUS fez...


Saint Vitus
V [Hellhound, 1989]

Doom de absoluta pureza, riff destilado e repetido, som ao mesmo tempo abafado e cristalino e a inconfundível voz de Scott "Wino" Weinrich são ingredientes mais que suficientes para fazer dos Saint Vitus uma banda obrigatória para qualquer metalhead que se preze. Sempre que se fala de doom metal é da praxe falar-se em Black Sabbath e sem dúvida que Osbourne, Iommi, Butler e Ward ensinaram muito a gerações de seguidores até aos dias de hoje. Os Vitus pegaram na essência e deram-lhe uma característica inteiramente deles. V culmina uma série de três LPs, juntamente com Born Too Late e Mournful Cries, e é pouco mais de meia hora de sublimação. Foi o último disco com Weinrich na banda e desde então essa lineup apenas deu um concerto em 2003 e claro o acontecimento que foi tocarem há 2 dias como headliners do Roadburn.

Killer Cuts: "Living Backwards", "I Bleed Black", "Jack Frost".



Nirvana
Bleach
[SubPop, 1989]

A intimidade de In Utero e a perfeição da pop de Nevermind são intemporais mas é a Bleach que mais regresso ultimamente. Há algo na produção de Jack Endino, fosse por que motivo fosse, que me agrada sobremaneira bem como a voz menos gritada e ao mesmo tempo mais agressiva do Kurt. Há aqui mais DIY, mais peso do que haveria mais tarde e sobretudo mais ingenuidade e atitude. Pergunto-me, ainda assim, o que seriam estas canções com Dave Grohl a malhar forte e feio na bateria em vez de Chad Channing (e Dale Crover, dos Melvins, que tocou em três faixas), mas a verdade é que aqui eu pura e simplesmente não mudaria coisa alguma.

Killer cuts: "School", "Negative Creep", "Paper Cuts", "Love Buzz" (Shocking Blue cover)



Terrorizer
World Downfall
[Earache, 1989]

Há momentos em que tudo se conjuga para que se produza algo de incontornável e intemporal. Se é verdade que os Napalm Death escreveram a maior parte das regras do grind em 1987 com Scum e From Enslavement to Obliteration, não é menos verdade que os Terrorizer sublinharam essa vertente e cruzaram-na com um som mais thrash death. Junta-se um lineup de luxo e o resultado é avassalador, 36 minutos da mais elementar destruição. O artwork de World Downfall não nega também a influência estilística em relação a Napalm Death e mostra a podridão aos pés de quem a todos quer por igual. 20 anos depois, num mundo em que uns continuam a ser mais iguais que outros, World Downfall permanece relevante e um sinal de revolta social e cultural. Obviamente não é para ouvidos sensíveis e só faz sentido se o que está em volta teima em não ter sentido.

Killer cuts: "After World Obliteration", "Fear of Napalm", "Enslaved by Propaganda", "Dead Shall Rise"


Também em 1989...
  • Pixies - Doolittle
  • Morbid Angel - Altars of Madness
  • Sepultura - Beneath the Remains
  • Faith No More - The Real Thing
  • Nine Inch Nails - Pretty Hate Machine
  • Pestilence - Consuming Impulse
  • Obituary - Slowly We Rot
  • Primus - Suck On This

domingo, 5 de abril de 2009

Negative Creep

Difícil acreditar que já lá vão 15 anos desde a morte de Kurt Cobain, lendário (quer se goste quer não) vocalista e guitarrista dos lendários (quer se goste, quer não) Nirvana. Cobain pôs cobro à própria vida a 5 de Abril de 1994.

Não posso dizer que tenha sido um fã die-hard dos Nirvana desde o começo, digamos por volta de 1987, mas ouvia bastante por alturas da morte do Kurt e depois como verdadeiro militante a partir de 1999 durante um largo período de tempo, muito por influência directa de um grande amigo. Desde essa altura, passei por várias mudanças no meu gosto musical, juntando sempre ao que já gostava e nunca passando a detestar o que anteriormente me dava prazer ouvir. Nesse sentido, acabei por me encontrar a data altura completamente submerso no rock e metal progressivo mas os Nirvana foram sempre uma paixão desde que ganharam para mim esse estatuto. E, independentemente do que se passa ou do que possa andar a ouvir em determinada altura, há um sentimento de euforia sempre que ponho a tocar um disco dos Nirvana, seja a aspereza de Bleach, o punk pop perfeito de Nevermind, a maluqueira dos lados B do Incesticide, a intimidade de In Utero ou a compilação de faixas ao vivo perfeita que constitui From The Muddy Banks of the Wishkah, este último já lançado depois da morte do Kurt.

Os Nirvana podem bem ser uma das bandas mais adoradas, e ao mesmo tempo mais odiadas, que alguma vez pisou o planeta e Kurt Cobain como seu líder foi uma das figuras mais controversas de sempre do rock. Génio ou drogado? Não faço puta ideia. Só sei que a música que ele e os amiguinhos dele fizeram fazem-me sentir vivo cada vez que a ouço. Que se lixe o resto.