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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Wherever there is light...

Descobri no-man num daqueles acasos apenas comparável com descobrir o significado do escudo papal através de uma entrada da Wikipedia sobre o 5 de Outubro.

Gostava de Porcupine Tree, fui à procura do que faz Steven Wilson quando não é Porcupine Tree e descobri que o ilustre produtor/compositor/músico colabora com Tim Bowness neste projecto.

São músicas lentas, espaçosas e vazias, que exigem um ouvinte paciente e audiófilo para serem desfrutadas em pleno. Eu nem sempre sou esse ouvinte paciente mas enfim, deixei-me levar e tenho agora cerca de metade da discografia dos senhores. Em tempo de mp3 isto parece idiota, ou se tira um album ou a discografia toda... mas a verdade é que eu comprei isto tudo à moda antiga.

Dos CDs e DVDs que me vieram parar a casa o Schoolyard Ghosts é o mais intrigante. As músicas deslizam como nevoeiro por uma encosta verdejante numa manhã de Outono, cada som actua como o estalar da lenha numa lareira de Inverno.

Veredicto: 8/10

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Nerdcore

Como nerd reivindicativo, já tardava a escrever este artigo.

Na era do cyber-território, a música toma uma nova forma. Não em estrutura mas em conteúdo. O estilo chama-se Nerdcore Rap e foi assim denominado por um senhor que se dá pelo nome de Mc Frontalot.

Na verdade o género existe há mais de dez anos. Começou com o próprio Frontalot e um punhado de outros, incluindo o tão merecidamente famoso Mc Chris.

Nas palavras de Front, "os meios de distribuição cairam nas mãos do proletariado". Traduzindo, numa era em que o dominio sobre a Internet é fulcral para auto-promoção, quem melhor que os geeks, nerds, spazs, dorks, dweebs e krelboynes para dominar uma área tão competitiva.

Fazem rap sobre jogos de cartas coleccionáveis, connvenções de ficção científica, Star Trek, Magic The Gathering, Star Wars entre milhares de outros temas antes tabú.

Sintetizam tudo em casa, nos seus portáteis, gravam a voz e distribuem pelo MySpace. Ora a comunidade representada em peso no MySpace, quem é? Os Nerds. E cá está a mina de ouro.

Na verdade eles são muito bons no que fazem. São inovadores, simplistas e perfeccionistas. Claro que são alvo de polémica, principalmente porque são todos caucasianos e losers a exercerem um género musical que era quase exclusivo a indivíduos de raça negra com egos gigantes. Mas estes pobres engenheiros informáticos são mesmo muito bons. Letras inteligentes e hilariantes por cima de beats cantáveis e simplesmente elaborados, são sucesso autodidata.

Claro que como todas as correntes persistentes, tem de haver um ponto de viragem para a fama. Numa altura em que começa a ser fixe ser nerd, o saudável documentário de 2008, Nerdcore Rising, veio implementar um nome que as revistas underground podiam referir sem causar risos.

Otakus, nerds, trekkies e até mesmo normalóides, bem-vindos! Podem experimentar aqui.

"Nerdcore will rise up"

quarta-feira, 10 de junho de 2009

In Loco: Foge, Foge Bandido no Cinema S. Jorge

Foram os "alternativos" que apareceram: os rockabillies, os mods, os bairristas e os intelectuais. A noite estava cheia e o calor apertava no atraso da banda. Os lugares escasseavam e a vista para o palco parecia inferior ao que viria a ser.

Entrou. Sim, Manuel Cruz e seus cúmplices entraram no edifício. Sentaram-se desprovidos de ego, lado a lado. Manuel no meio com as palavras. Todos tocavam tudo: guitarras, baixos, xilofone, violinos, banjos, bateria, sintetizadores em abundância e um serrote de uma drogaria qualquer.

Da mistura balançada entre os devaneios digitais de um homem e uma música orgânica, a metamorfose dos ouvintes era palpável. Com um equilíbrio entre a produção de sons sintéticos nos seus teclados e uma complicada consonância rítmica imperceptível ao leigo, Manuel Cruz e comparsas introduziram-nos a uma noite com uma das últimas bandas que comercializam arte no seu estado puro.

Nunca tinha ouvido um concerto tão particular. Durante uma hora e meia, foram tocadas por volta de quarenta músicas de 1 ou 2 minutos. Umas exploravam o conceito de ritmo enquanto força básica de movimento. Outras experimentavam com a noção de tempo e compasso enquanto lei musical. As melhores exploravam a alma pueril de um poeta sozinho no palco.

A melhor maneira de descrever o que é estar num concerto de Foge, Foge Bandido é pedir para imaginarem que se trata de um autista a tocar. Mas que o seu autismo é como uma aura que à medida que os ruídos e os sussurros se transformam em música, se alastra e nos engloba a todos.

Aos poucos vamos percebendo o que aquela linguagem significa. À medida que o concerto avança, deslindamos a gramática e entramos no mundo orquestrado de Manuel Cruz. Não tanto o rockeiro de Ornatos Violeta, mas sim o poeta que sofre, experimentando, testando os limites do que é, de facto, a música.

domingo, 7 de junho de 2009

In Loco: Mayra Andrade em Belém, CCB

Como chegou, foi-se: encantante.

Mayra Andrade nasceu em Havana mas cresceu no Senegal, Angola e na Alemanha. Aprendeu com os pais o que era soar a Cabo Verde e lá se deixou levar pelo encanto da Ilha do Fogo. Do Mindelo. Da Praia.

Jovem adulta, conquista a atenção de meio mundo ao ganhar os Jeux de la Francophonie e um Preis der Deutschen Schallplattenkritik. Tudo enquanto canta em crioulo. Foi o suficiente para abrir para Cesária Évora e fazer duetos com Lenine, Chico Buarque e Charles Aznavour.

O concerto foi como seria de esperar. A musa entra, divinal como sempre canta meio mundo de influências com a sua nova banda. Alguns são jovens e verdes. Nem por isso menos capazes. Os rapazolas mostram como a técnica embeleza a voz enquanto os sábios baterista e baixista coordenam estruturas e sonoridades. E depois havia um percussionista maluco.

Começou ameno. Depois ritmado. Depois intimo. Depois calmo. Depois quente. Depois frenético e depois acústico. Acabou corajosamente com um solo accapella de Mayra. Não se ouviu. Sentiu-se.

Foi tão agradavelmente único como cada acorde dissonantemente suspenso no fim de cada música. A mensagem: a morna vive e viverá sempre.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Blast from the past: 1998

Em 1998 eu jogava Playstation e via MTV. Hoje a Playstation vai na terceira versão, o Gran Turismo tornou-se complicado demais, até para o Pedro Lamy, o FIFA foi substituído pelo PES e eu nunca me habituei às teclas e jogabilidade; e a MTV passou a ser eMpTy V, como cantava o poeta.

No entanto há coisas de 1998 que me foram acompanhando nos últimos 11 anos. Destaco aqui os álbuns desse ano que ainda duram.

Americana (The Offspring)
Americana marcou o ponto de viragem em que todos os álbuns de Offspring passaram a ser remakes e reprises do Americana. Sinal de que era bom. Punk Rock para as massas que eu ouvi até gastar o CD.



Devil without a cause (Kid Rock)
Um album genial. Especialmente "Cowboy" e "Only God knows why", que conta com uma utilização criativa do AutoTune (afinador de voz). Kid Rock com toda a atitude que faz dele Kid Rock. Considerado o 68º melhor album de sempre pelo Rock and Roll Hall of Fame.


Follow the leader (Korn)
Nu metal para revisitar de vez em quando. "Freak on a leash" e "Got the life" eram especialmente interessantes. Os Korn ainda haviam de fazer mais música interessante antes de se deixarem desvanecer no nevoeiro do tempo.



Garage, Inc (Metallica)
Uma colecção de covers gravada por uma banda de encher estádios. Depois de uma tour infinita de suporte aos duplo-album-que-nunca-chegou-a-ser Load e ReLoad a "maior banda de garagem do mundo", escrevia uma revista da altura, lança um albúm de covers (continuando em digressão) e faz acompanhar o novo CD de mais um disco com dois EPs há muito desaparecidos de circulação.

Inquisition Symphony (Apocalyptica)
Afinal era mais do que quatro maluquinhos a tocar Metallica com violoncelos do século XIX! O começo do corte do cordão umbilical: o quarteto de cordas foi-nos dando cada vez menos Metallica, ganhando personalidade e perdendo o impacto inicial.


Liquid Tension Experiment (LTE)
Um festival de música instrumental de qualidade inatingível. Para encantar os leigos e desanimar os músicos... De qualquer forma um excelente álbum. Receita: ouvir com o segundo album de LTE logo de seguida.



Mechanical Animals (Marylin Manson)
Era um gajo estranho com música estranha e estava no apogeu da sua carreira. Contavam-se todo o tipo de mitos e lendas sobre ele. A tour de suporte a este álbum veio a dar num "live" que é talvez a melhor publicação de MM.


Once in a LIVEtime (Dream Theater)
O primeiro "live" de DT com duração de concerto. Nem faltavam os solos de guitarra, teclas e bateria... Tem erros, tem um som razoável mas acima de tudo sem autenticidade. No vídeo vê-se um palco com luzes que parecem tiradas de um concerto de Emanuel de 1998. Isto era tudo antes dos DT lançarem um álbum por ano e para cada álbum um outro "live".

Ray of Light (Madonna)
Madonna num campo novo. Menos dança, menos disco, e muito ambiente, som espacial, etéreo. Uma produção impecável e uma experiência arriscada para uma marca que vendia tão bem.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

13 Anos sem Santeria...

Bradley Nowell (22 Fevereiro 1968 - 25 Maio 1996) foi o vocalista da banda californiana Sublime.

Revolucionaram a música através do seu descuido quanto a géneros, estereótipos e rótulos. Tocavam o que queriam, quando queriam, como queriam.

O que era extraordinário em Bradley era a capacidade de tocar as suas músicas sob influência de qualquer psicotrópico. Ébrio para além do limite humano, distribuía escalas de blues aceleradas sobre o ritmo ska enquanto ladrava para um microfone quando já nem conseguia falar direito.

Isto não é dizer bem da sua resistência física mas sim dos seu riffs absurdamente intuitivos e naturais. Por momentos, parece que Bradley tocava de ouvido e não de técnica. Podia estar a entrar em coma alcoólico mas mesmo assim entregava fenómenos.

Tinha um cão. Lou Dog é o nome pelo qual milhares de fãs conhecem e reconhecem o dálmata que encorpou a mascote da banda. Em '94 Lou Dog fugiu de casa e Bradley foi-se abaixo. No dia seguinte, centenas de fãs sublimes vasculhavam Long Beach, a sua terra natal, à procura do dito canídeo. Encontraram-no e reuniram-no com o dono que se apressou a escrever a música "Lou Dog Went to the Moon". Eram uma dupla estranha: "Livin' with Lou Dog is the only way to stay sane!"

O grande problema da vida deste grande poeta das causas perdidas era a droga. Bradley tinha um filho, Jakob. Nem isso o salvou. O problema, como disse a sua mulher Troy Dendekker, era que Brad era muito mais feliz pedrado do que sóbrio.

Com o seu 3º álbum, os Sublime atingiram o sucesso comercial, vendendo 17 milhões de cópias mundialmente. Bradley morreu de overdose a 25 de Maio de 1996 antes do dito álbum ser lançado.

Escreveu uma música onde antevia o seu fatídico desfecho:

"Lyin' in my plastic bed
thinkin' how things weren't so cool to me

my baby likes to shoot pool

I like lyin' naked in my bedroom

tying off that dinousaur tonight
it used to be so cool to...
But now i've got the needle
and i can shake
but i can't breathe
i take it away but i want more, and more
one day i'm gonna lose the war"
Poolshark - Sublime

sábado, 23 de maio de 2009

In Loco: Matt Elliott em Coimbra, Salão Brasil

Foram 200 kms para lá, 200 para cá.

Eu e o Vasco fizémo-nos à estrada e cheagamos a Coimbra às onze da noite.

Quando chegámos lá, e encontrámos o magnífico Salão Brasil, Restaurante Extraordinaire, sentámo-nos a uma mesa com cervejas na mão. A taberna tinha um ar entre o agradável e o desagradável. Boa comida, bom ambiente, janelas gigantes sem cortinas a substituir as paredes.

Palco montado, espera acabada. Matt Elliott, que até então tinha estado a jantar ao nosso lado, levanta-se até aos dois metros de altura e caminha para o palco. Senta-se na sua cadeirinha abandonada e inicia a solitária tarefa de entreter muito Coimbrão e dois Lisboetas.

Apagaram todas as luzes e deixaram as velas. Iluminacão propriamente dita, só a dos candeeiros de rua que ao atravessar as janelas gigantes destacava uma silhueta negra em palco, aumentando o misticismo a um nível literário.

Do folk acústico, intimista e pessoal, ao noise-pop, técnico e muito barulhento mas não sem uma dose de catarse, (e tudo na mesma música de 16 minutos) foi um saltinho por entre camadas muito bem elaboradas de repetições do que houvera sido tocado. Explico.

Como Matt é só um, enquanto toca 2 minutos de guitarra e voz, grava-os. Depois põe "play" e toca outra coisa por cima, enquanto grava outra vez. Depois "play" outra vez e assim em diante até ser indistiguivel quanto Matts e quantas guitarras fazem parte desta banda de um homem.

"Detesto encores" - diz ele - "porque já toquei tudo o que sabia tocar". Acreditem que demorou muito e muitas palmas da mão ficaram encardidas até o porem no palco. Então prometeu-nos esmerar-se numa música que já não tocava há muito.

"This is what I hate about encores" justifica enquanto se prepara para recomeçar a segunda. "I just remembered another one I'd like to play for you". Assim o faz.

"Final one. I promise." E à terceira foi de vez com uma ovação em pé. Bem a mereceu.

Já no foyer, Vasco e eu metemos conversa, compramos o CD, pedimos autógrafo e confirmamos a natureza humilde deste rapaz que não parou de agradecer termos vindo ao concerto dele. Principalmente depois do meu comparsa ter especificado que viemos desde Lisboa.

Foi uma noite que valeu a pena.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Level 42 com filetes de pescada

Hoje o leitor de mp3 estava a aviar músicas que nem uma linha de montagem e eu comia filetes de pescada ao almoço quando de repente começam a vibrar nos tímpanos umas melodias giras, uma voz engraçada, uma banda fresca que nem uma alface algarvia apanhada antes do sol se levantar.

Eram os Level 42 com o albúm Retroglide. Pareciam os Primus se o Les Claypool não fosse tão esquisitinho... Pensei logo: serão mais parecidos com uns Primus sérios ou com o Jamiroquai num Irish Pub?

De qualquer das formas, vale a pena ouvir.

Da wikipedia:
"Level 42 is an English pop rock and jazz-funk band who had a number of worldwide and UK hits during the 1980s and 1990s. The band gained fame for its high-calibre musicianship - especially that of Mark King, whose percussive slap-bass guitar technique provided the driving groove of many of the band's hits."

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Killing In The Name Of

É repudiante a forma como quaisquer tentativas de fazer algo pela música que seja genuíno e intelectualmente honesto neste pequenino país redundam sistematicamente em más vontades, aproveitamento de terceiros e na mais pura e simples desonestidade. Bares, associações, promotoras, bandas... não interessa a natureza da entidade, basta que seja de alguma forma contra-corrente e que faça frente ao establishment. É uma questão de tempo, até que se vejam forçados, sem alternativas, a fechar o tasco.

Quem me conhece de perto já terá certamente ouvido da minha parte elogios para com a Amplificasom, promotora recente do Porto, que tem feito a sua quota parte por promover a boa música na Invicta, marcando inclusivamente tours inteiras de bandas que provavelmente, de outra forma, nunca chegariam aos ouvidos dos portugueses. Tudo parecia correr bem, concertos cada vez mais preciosos a acontecer em diversos locais do Porto, bandas como os japoneses Boris, os Russian Circles, os Nadja, os A Silver Mt. Zion, os Secret Chiefs 3, os Capricorns, os Pelican, ainda há dias os míticos Earth e no último fim de semana, os norte-americanos A Storm of Light. Já para não falar do promoverem um espaço para verdadeiros músicos Portugueses (notai a maiúscula, daqueles que não andam 30 anos a gravar o mesmo álbum), como os Löbo, os Catacombe, os Katabatic, os Men Eater, etc etc.

Mas chegam agora os primeiros sinais de castração. Explicam o André e o Jorge, da Amplificasom, num post que tomo a liberdade de transcrever na íntegra:

Olá a todos,

É neste dia chuvoso e triste que vos decidimos escrever, temos algumas coisas para partilhar convosco.

Como muitos de vocês sabem, a Amplificasom apenas surgiu pela enorme vontade que tanto eu como o Jorge tínhamos (e temos) em ver as nossas bandas preferidas aqui na nossa cidade, no nosso país. Quem repara na relação preço dos bilhetes/ qualidade das bandas e no facto da Amplificasom não ter qualquer tipo de apoio, fundos ou patrocínios sabe que apenas dependemos da bilheteira e que ao fim da noite, com todas as despesas e responsabilidades, seria impossível ganhar o que quer que fosse. Mesmo que ganhassemos, duvido que pagasse todo o nosso empenho e dedicação, MAS infelizmente nem todos estamos no mesmo caminho, nem todos estamos nisto pela MÚSICA.

É com revolta e frustração que vos informamos que uma tal organização prevista na lei e que se auto denomina como protectora dos direitos de autor exigiu licenças para os próximos concertos da Amplificasom. Não somos incumpridores, não queremos o mundo à nossa maneira, mas a partir do momento em que uma licença para um concerto custa mais do que o cachet da banda então é porque algo está errado e devia ser revisto. Essa tal organização privada tem uma maneira de trabalhar bastante duvidosa e apesar de ser contestada por muitos não há maneira de os fazer parar. Quem está no meio sabe que bandas como os A Storm of Light (que sábado deram um concertaço enorme), por exemplo, nunca receberão um tostão relacionado com os direitos de autor, todo esse dinheiro vai para os "chicos fininhos" deste país e sabe-se lá mais para quê. Enfim, não me vou adiantar muito mais até para não vos maçar. Quero-vos apenas relembrar que nós na Amplificasom AMAMOS E RESPIRAMOS música, estamos nisto pelo som e as bandas são sempre a nossa prioridade, simplesmente não fazemos milagres (se calhar até já fizemos alguns) e sendo assim temos algumas alterações para vos anunciar:

- Os bilhetes para This Will Destroy You terão um preço mínimo de 10€ e não 8€ como estava estipulado (lá está, temos que tirar uma licença mais cara do que o cachet e ao mesmo tempo não aumentar muito o preço pois vocês não têm culpa). Quem já reservou, sintam-se livres para cancelar, quem ainda não reservou e tenciona ir então reservem-no o mais breve possível.

- Nós e a Lovers decidimos cancelar o concerto de Jarboe + Black Sun. É impossível garantirmos todas as condições que alguém como a ex-Swans merece e depois ainda pagarmos a treta do costume. Esqueçam, neste campeonato não dá.

- Desde a passada quinta-feira que temos confirmado um daqueles concertos pequenos mas gostosos para o dia 5 de Maio. Com a desmotivação que estamos, hoje não teríamos acordado trazê-los cá nem marcado cinco datas ibéricas, mas agora já lhes demos a nossa palavra e contamos convosco para que corra bem. É uma banda de pós-metal da Relapse, daremos mais novidades no blog dentro de dias.

- É provável que o concerto dos suecos Kongh (16 de Maio) seja o último durante algum tempo. Estamos cheios de ideias para o futuro, projectos com malta com a qual nos identificamos e até temos concertos já confirmados para Outubro, mas hoje sentimo-nos amargos e traídos depois de tudo o que temos dado e feito pela música ao vivo nesta cidade. Bem, logo se vê...

Até breve.

Abraço,
André e Jorge (Amplificasom)

Perdoem-me a amargura e o mau feitio mas sinceramente, será que este país merece outra coisa? Para merecer teria de haver uma consciência colectiva que puxasse para outro sentido que não este. Mas numa cultura de "laissez-faire" onde os Tonys (e os Mickaéis) Carreiras enchem Coliseus e Atlânticos, não se pode esperar qualquer grito de revolta. O que há, é demasiado lá ao fundo e prontamente abafado, como se vê.

Pessoalmente, é óbvio que qualquer respeito que tivesse pelo Miguel Guedes e os outros como ele, foi pelo cano abaixo.

Tempos negros...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Groove Sul Americano

Para comemorar aquele que foi, penso eu, o dia mais quente do ano, killer stoner/doom/psychedelia directamente da Argentina: Dragonauta.





Ah então é assim que se faz lá na Argentina, hum?...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Como Enfiar 32 Canções em 8 Minutos

Todos sabemos que há algum trigo por essa Internet fora e muito mas mesmo muito joio. Não sou de ligar particularmente à feira que é o YouTube e afins, mas de vez em quando sai uma pérola destas, o que querem que faça?...

terça-feira, 10 de março de 2009

Let's Drone It Out

Eu não acredito em concertos obrigatórios. Mas que os há, há.

Stephen O'Malley a solo
(Sunn O))), Teeth of Lions Rule The Divine, ex-Khanate)
Culturgest, Porto, 11 de Abril, 5 €

Care to join me?

There Will Be Blood

Não, desta vez não é o magnífico masterpiece de Paul Thomas Anderson.


Para quem gosta destas andanças, ficam as boas notícias que o terceiro álbum dos norte-americanos Office of Strategic Influence (OSI) - projecto do ex-teclista de Dream Theater, Kevin Moore, e do guitarrista de Fates Warning, Jim Matheos - já tem capa (acima) e datas de lançamento previstas. "Blood" estará disponível na Europa a 27 de Abril e nos States a 19 de Maio, mais uma vez pela mão da Inside Out.

Este é também o primeiro longa duração dos OSI que não conta com os préstimos de Mike Portnoy (Dream Theater) na bateria mas em contrapartida terá no seu lugar o genial Gavin Harrison (Porcupine Tree) além de uma guest appearance de Mikael Akerfeldt (Opeth). Basicamente, estou para aqui a dizer que este é tão somente mais um álbum obrigatório para quem se interessa tanto pelas bandas referidas como pelos projectos a solo mais electrónicos do Kevin Moore.

Mais detalhes na notícia do Blabbermouth.

Pessoalmente, o que mais anseio é ver como vai encaixar o Gavin Harrison no som electronizado dos OSI. Mas como esse senhor até na banda da Carris brilhava...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Reorganização

Não é a primeira vez que cito o fantástico "High Fidelity" de Stephen Frears (baseado no livro de Nick Hornby)...
Dick: I guess it looks as if you're reorganizing your records. What is this though? Chronological?
Rob: No...
Dick: Not alphabetical...
Rob: Nope...
Dick: What?
Rob: Autobiographical.
Dick: No fucking way.

No fucking way, indeed.

Conseguir ter a minha colecção ordenada autobiograficamente tem tanto de utópico como teria de brilhante. E como ser brilhante não está ao alcance de todos, limito-me a comprar uns movéis baratólios no IKEA e a ordenar os meus discos alfabeticamente (cronologicamente dentro do mesmo artista/banda) e os meus DVDs cronologicamente. Os discos já estavam e hoje foi a vez dos filmes (metade inferior da imagem).


Ya, já tirava as etiquetas.

Mas como todas estas obsessões de organização acabam por ser sempre um pretexto para grandes viagens, hoje não foi excepção. Procurar o ano exacto de lançamento da maioria destes títulos (thank goodness for IMDb), separá-los de acordo com esse critério e depois vê-los expostos dessa maneira, permitiu-me contextualizar bem melhor no tempo os filmes que admiro. Sabiam que o Brad Pitt fez dois brilhantes filmes no ido ano de 1995? E que o Rambo II saiu no mesmo ano do Commando (1985)? Que grande ano.

Quem me conhece sabe que, lamentavelmente, não estou a ironizar.

E já que estamos numa de informação inútil:

- o filme mais antigo que tenho em DVD é o "Blackmail", do Mestre, lançado em 1929. Tirando as colecções (Hitchcock, Kubrick, etc...), o filme mais antigo aqui é mesmo o "Gilda", com a fantástica Rita Hayworth, que data de 1946.

- não tenho qualquer filme em DVD posterior a 2006. A única explicação que encontro é que desde então foram os anos em que comprei a maior parte dos meus DVDs e os filmes mais recentes são, na maioria, caros. Os meus filmes são, em geral, clássicos comprados de oportunidade aqui e ali.

- O ano do qual tenho mais filmes é 1997, logo seguido de 2001. Go figure.

- Tenho pelo menos um dos nomeados para Óscar na categoria de Melhor Filme desde 2005 recuando até 1986, incluíndo alguns dos vencedores da estatueta: "Crash", "Chicago", "A Beautiful Mind", "Gladiator", "American Beauty", "Unforgiven", "The Silence of the Lambs", "Dances With Wolves", "Rain Man", "Platoon". Ao todo, são 17 os DVDs de filmes vencedores desta categoria em toda história dos Oscares. Totalmente involuntário.

- O realizador com mais filmes na minha videoteca é mais uma vez Hitchcock, com 20 títulos. A culpa é das duas colecções que fiz, uma com os clássicos e outra com os B/W da primeira era. Acho que a culpa também é dele por ter feito tanta obra-prima.

E os leitores do 24Hz, como é que (des)organizam as vossas colecções? Alguma particularidade que tenham que mais ninguém tem?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Scotty Moorhead

Tenho andado a ouvir umas coisas meio dúbias e decidi pôr em pratos limpos a minha opinião sobre este assunto. Do princípio:

Cresceu com o nome do seu padrasto. Scotty Moorhead era como o apelidavam os colegas de escola, professores e família.
O mundo conheceu pelo nome que adoptou, melhor, reviveu aquando da morte do seu pai biológico, Tim Buckley.

Jeff Buckley começou a sua “vida” nos bares da East Village em Nova Iorque, em particular, num pequeno estabelecimento irlandês tornado altar pelos seus fãs: o Sin-é. Fazia o que faz melhor: interpretar temas dos seus ídolos. Led Zepellin, Nina Simone, Morissey e The Smiths.
Foi quando começou a ouvir música religiosa paquistanesa, especificamente Nusrat Fateh Ali Khan que a sua tendência musical começou a expandir fronteiras. Bebia de Robert Johnson e os seus Blues de 1935 e da banda de punk Hardcore Bad Brains, Siouxie Sioux e, obviamente, Leonard Cohen.

Conheceu Gary Lucas e começaram a gravar juntos o que viria a ser o inicio de Grace.
Morreu quando decidiu nadar no Mississípi totalmente vestido.

A primeira vez que ouvi Jeff Buckley estava a comer uma sandwich de queijo. A sandwich não é importante mas o facto de eu me lembrar o que comia mostra o quão importante foi para mim. A música era a rendição do Hallelujah de Leonard Cohen.

A grande mística de Jeff Buckley não vem do facto de ter morrido. Definitivamente vem da rareza envolvida na sua música. Claro que a grande mais-valia da sua música é a voz enfeitiçada de Buckley. Mas o que me fascinou, a ponto de me incentivar a tocar guitarra todos os dias, todo o dia, foi o estranho som que este músico retirava daquelas seis cordas de cobre. Os acordes bizarramente harmoniosos e as progressões catárticas com que Jeff recheia as suas canções são precisamente o que, aliado à sua voz sirénica, puxam tantos navegadores para os rochedos que são Sketches for My Sweetheart, the Drunk e Grace.


A morte de Jeff Buckley trouxe alguma benesse para a Columbia Records, isso sim. Para nós, apenas nos privou de um fantástico artista. A ele, ceifou um que era o começo de exponencial crescimento na sensibilidade musical que já tinha pedido emprestado aos seus novos heróis. Era um interpretador. Todo aquele potencial que tinha para reinventar músicas de outros poderia ser transformado em originalidade divina. Agora nunca o saberemos.

Não estamos a falar de Kurt Cobain nem de Jim Morrisson. Estamos a falar de um artista cujos ídolos o idolatraram postumamente.

A melhor definição que já ouvi sobre a música de Jeff:

“…um rapaz do coro que canta de um canto num bordel…”

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Dantes Era Assim

Um dos poucos veículos de cultura musical no nosso país, o Blitz já sofreu algumas mutações desde que começou a sair para as bancas em 1984. O facto de ser quase tão antigo como eu próprio exige de mim um certo respeito, apesar da banalidade em que se tornou com o passar do tempo, banalidade essa de alguma forma aliviada com o novo formato de revista, em vigor desde 2006.

Via "O Homem Que Sabia Demasiado", fiquei hoje a saber que está em marcha um projecto para digitalizar os arquivos do Blitz e muito desse trabalho está já disponível online. O que eu também não sabia - mas vá, desconfiava - é que o Blitz foi instrumental na internalização de uma forte cultura musical cá no burgo, numa época em que a Internet, para o bem e para o mal, não existia e em que descobrir coisas novas era provavelmente mais cativante, já que as novidades eram mais escassas e sobretudo mais difíceis de conhecer.


Como diz Victor Afonso, no blog anteriormente referido, "no fundo, os primeiros 10 anos de existência do Blitz, para mim os mais decisivos, foram uma época de verdadeiro culto e de militância, de verdadeira causa à música." Isto é algo pelo qual passei muito de raspão, devido à idade que tenho, mas com o qual me identifico profundamente. Havia, de resto, uma mística muito engraçada e de certa forma excitante em, por exemplo, ouvir a "Submissão" dos Xutos numa cassette original, em casa de um amigo. As coisas estavam a acontecer.

E o declínio, por vezes acentuado, deste tipo de publicações com razões frequentemente inexplicáveis faz-me lembrar uma frase do Jack Black no brilhante "High Fidelity":
Rob, top five musical crimes perpetrated by Stevie Wonder in the '80s and '90s. Go. Sub-question: is it in fact unfair to criticize a formerly great artist for his latter day sins, is it better to burn out or fade away?

Em todo o caso, dêem asas à nostalgia ou pura e simplesmente à curiosidade em "O Velho Blitz". Vale a pena.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Switchtense + Revolution Within (In Live Café, Moita) - 31/01

Noite do peso na Moita, ponto fulcral da "cena metal" da margem Sul e com o pretexto de apresentarem o seu primeiro álbum, "Confrontation of Souls", os Switchtense - banda da terra - deram mais um concerto de metal porrada para mais tarde relembrar, até porque houve muito metal e imensa porrada.

A noite devia ter sido aberta pelos Seven Stitches, mas uma lesão de última hora impediu a banda de dar o seu contributo, pelo que foram os nortenhos Revolution Within a dar início às hostilidades. Vindos de São João da Madeira, tocaram um death metal melódico bastante standard, ainda que bem tocado. Os moshers habituais não se fizeram rogados e ainda a primeira faixa ia a meio, já o arraial de pancadaria à frente do palco era bem notório. O que vale é que eles são todos amigos e ninguém se aleijou. A tarefa da banda era ingrata, pelo menos do ponto de vista de animar o público, já que a festa não era deles mas a perserverança, a humildade em palco e uma setlist curta mas bem construída valeu-lhes a boa imagem que deixaram, especialmente com as últimas duas canções particularmente devastadoras, bem thrashadas e com riffs memoráveis.

Concluída a primeira prestação, foi tempo dos Switchtense tomarem de assalto o palco do InLive e encetarem a destruição. Como seria de esperar, apresentar um álbum é tocá-lo seguidinho e foi isso que a banda da Moita fez e bem. Se o EP "Brainwash Show" sofre de ter um bateria programada e em geral uma produção menos boa, esses são problemas que ficaram resolvidos com a formação actual que mostra uma coesão muito interessante, seja no entendimento perfeito entre as duas guitarras, seja numa secção rítmica de betão ou na intensidade da voz, mesmo quando já quase não há mais para dar. Os Switchtense demonstram, aliás, neste momento ter já aquela aura própria de bandas mais experientes e tecnicamente evoluídas, pelo bom som que debitam - isto muito graças ao seu técnico de som, tido pela própria banda como sendo o sexto elemento - mas sobretudo pela manutenção da humildade que os vem caracterizando.

"Confrontation of Souls" foi então tocado de fio a pavio e ficaram-me três registos com particular adrenalina e energia. "Into The Words of Chaos", "Second Life" e "State of Resignation" representam muito do que faz dos Switchtense uma referência neste tipo de som, com face melting riffs e refrões que puxam e de que maneira pelo povão. Quem não gosta, não gosta, mas quem gosta tem muito por onde gostar no que faz esta rapaziada.

O álbum é oficialmente lançado amanhã, dia 2, mas já tivemos oportunidade de o comprar neste concerto e inclusivamente tê-lo assinado por todos os elementos da banda, o que é sempre simpático, especialmente para um groupie desavergonhado como eu. O artwork é, diga-se de passagem, bastante bem conseguido e vale a pena, por diversos motivos, dar os 10 euros que este menino vale.

O que não vale mesmo a pena é resignarmo-nos apesar da constatação que o panorama musical neste país está pelas ruas da amargura. Eventos como o de ontem no InLive são parte da resposta que é preciso dar. O resto tem de partir de cada um de nós que gostamos disto.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Wavering Radiant


Não sei se gosto muito, pouco ou nada do título do novo álbum de Isis - "Wavering Radiant" - mas também who gives a shit? São os Isis, voltam 3 anos depois aos LPs e quem os conhece sabe bem do que estou a falar: bliss.

Hoje ficamos a saber que já há datas concretas para o lançamento do 2xLP e CD, 21 de Abril e 5 de Maio, respectivamente. Corriam rumores que um elemento dos Tool iria contribuir de alguma forma para o álbum, falava-se do Justin - que já não seria virgem nessas andanças - mas confirma-se agora que foi o Adam Jones que emprestou os seus dotes de guitarra em dois faixas. E convém não esquecer que as responsabilidades de produção estão desta feita a cargo de "Evil" Joe Barresi (Kyuss, The Melvins, Queens of the Stone Age, Tomahawk, L7, The Jesus Lizard). Can't.. fucking.. wait.

Acho que é hora de resgatar a turn table e comprar este bebé em vinil...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Três Foi a Conta Que dEUS Fez

Por isso, só assim naquela, porque realmente me apetece, aqui fica o registo de três albums que marcaram a minha juventude e que por continuarem a marcar só podem mesmo ser muito importantes para mim.

Manic Street Preachers - The Holy Bible

Numa altura em que eu estava muito pouco sintonizado com questões políticas e com o que se passava no mundo exterior, os Manics - como eu gosto de lhes chamar - lançavam a bíblia deles na forma do "The Holy Bible", um álbum escuro em tudo desde as letras à sonoridade, muito por culpa do facto de ter sido um álbum inspirado por uma visita da banda a Auschwitz não sendo de estranhar o temas relacionados com o Holocausto, niilismo, misantropia. O intervencionismo que se lhes reconhece talvez nunca mais tenha sido tão cru como aqui mas eu queria lá saber. Não era isso que me atraía, mas sim as canções em si, as melodias, o rock fácil de ouvir e de se gostar que esta malta debitava. E claro que ter uma canção chamada "Ifwhiteamericatoldthetruthforonedayitsworldwouldfallapart" também não é para todos.

Este foi também o último album dos Manics antes do desaparecimento (literal) de Richey James Edwards, guitarrista da banda, que se seguiu a complicados períodos de depressão. Ainda hoje os restantes elementos da banda continuam a acreditar piamente que Richey pura e simplesmente decidiu retirar-se de cena e está a viver outro vida noutro lugar, rejeitando a hipótese da sua morte. E convenhamos, quão difícil é, hoje em dia, desaparecer?

Nada Surf - High/Low

Provavelmente são mais as pessoas da minha idade que ouviram o single "Popular" na MTV do que as que não ouviram e se realmente essa canção não é nada de especial e foi tocada até à exaustão, a verdade para mim é que o álbum onde se inclui essa faixa é uma pérola da minha juventude. "High/Low" não é o punk la la la de uns Green Day ou de uns The Offspring nem tão pouco abrasivo como uns Black Flag ou Sex Pistols. Nada Surf puxa ao indie, ao lo-fi e sobretudo para mim puxava ao sentimento. Talvez tenha sido as alturas da minha vida em que discos dos Nada Surf estiveram sempre presentes, mas esta banda tem sempre um lugar especial na minha colecção.

Entretanto a banda foi-se tornando cada vez menos irreverente, optando pela contenção e pelo pop stripped down tipo Death Cab For Cutie, mas continuam a ser os meus Nada Surf. E uma das grandes lacunas foi nunca os ter apanhado ao vivo, mesmo já tendo passado várias vezes por Madrid.

Green Day - Insomniac

"Dookie" foi um dos álbums que me fez ouvir música - e quem não curtia a "Basket Case" ou a "When I Come Around" que se chegue à frente. Lá que tenham sido tudo canções também elas exaustivamente batidas é um facto, mas isso não lhes retira a magia que tinham e continuam a ter. No entanto, talvez também por isso eu seja particularmente parcial para o álbum que se seguiu, "Insomniac", que tinha a difícil tarefa de suceder a um dos albums mais bem sucedidos da história da música. Pérolas como "86", "Brain Stew", "Stuck With Me" ou "Westbound Sign" não as esqueço tão depressa.

Por vezes deixo-me enamorar pelo glamour de ter agora 40 anos e poder dizer que cresci com Dylan, Lou Reed, Led Zeppelin, Deep Purple e os Beatles. Não é o caso, cresci com Nirvana, Offspring e Green Day. Mas depois rapidamente me apercebo que a música é intemporal e tenho muito tempo pela frente para descobrir. Pura e simplesmente descobrir.