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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Silver Screen: Experienciar o cinema

Em 1895 os irmãos Lumiére apresentaram o primeiro filme para o qual foi cobrado um bilhete. Na verdade era uma sessão que incluía uma série de curtas (1 minuto ou menos) metragens. Este tipo de experiência de cinema ainda existe nos nossos dias, em salas maiores do que o celeiro dos Lumiére, com filmes que rondam as duas horas mas é essencialmente o mesmo modelo: alguém paga para entrar num espaço onde lhe é apresentado um filme, projectado em ecrã para todos os presentes.

Entretanto (meados do s]eculo XX) surgiu a TV que também exibia filmes e mais tarde o vídeo permitiu a toda a gente fazer os seus próprios filmes, alugar filmes e até gravar em cassetes de fita magnética os filmes que passavam na TV ou que se trazia do videoclube.

Sem entrar em pormenores de cronologia e de suportes (há pelo meio vários formatos de cassete e o laser disc, etc) podemos dizer que mais tarde surgiu o DVD, que evitou a perda de qualidade na gravação, na cópia e no visionamento. O DVD permite ver o filme com uma qualidade próxima do que a sala de cinema permite e, para quem tem sistemas de som multi-direccionais, usufruir da experiência sonora que a sala de cinema nos dá. O blu ray vem trazer uma definição ainda melhor à imagem; melhor até do que o 35mm/24hz, o que não agrada a toda a gente...

Depois de tanta melhoria na experiência e qualidade, depois de sair das grandes salas de cinema para as salas de estar dos lares...

...chega a internet e o download de filmes. Para tal é preciso muitas vezes comprimir o filme, o que resulta em qualidades inferiores à do DVD... parece ser um retrocesso mas há uma novidade: de forma quase sempre ilegal o filme chega até ao espectador mais rapidamente do que chegaria na TV, em K7 ou DVD. Pode até chegar mais rapidamente do que chegaria no cinema! E é aqui que surge o problema... há uma vasta equipa a trabalhar num filme e muitos têm acesso ao filme, uns em fases intermédias outros em fases finais. Uma versão de trabalho pode sair para a rede e ser distribuída, em poucas horas, por todo o planeta. As pessoas visionam e criticam o filme, o filme já chega gasto de tanto comentário às salas de cinema, etc.

Serve esta longa dissertação não para afirmar a minha posição mas para provocar os leitores do 24Hz:
1 - A experiência de sala de estar, com DVD/BluRay/HD-DVD,Video On Demand, etc, substitui a sala de cinema?
2 - O que é que uma tem que a outra não tem?
3 - A internet substitui alguma das duas?
4 - A antecipação do visionamento de um filme não é prejudicial à experiência do cinema?
5 - A compressão dos filmes ou o facto de serem disponibilizadas versões pré-finais não prejudicam todas as partes do filme? (produção, distribuição e consumidores)
6 - Que futuro para a distribuição / experiência de cinema?

Note-se que deixo de fora a questão dos formatos DVD/BluRay ou da película/digital ou mesmo 2d/3d; a questão colocada aqui prende-se com o conceito de distribuição e recepção, seja qual for o formato.