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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Brasil Parte II - Miguel Sousa Tavares

Depois de Maria João Pires consumar o acto, agora é Miguel Sousa Tavares que quer vestir a canarinha, como se pode observar nesta entrevista.

Portugal não tem capacidade de aprender com os erros cometidos. Repetimos os mesmos erros. Umas vezes por burrice, outras por desonestidade pura e simples, oportunidade de negócio, etc. Quase desejava que nos fechassem a torneira dos dinheiros europeus, que fôssemos obrigados a viver com aquilo que produzimos, com a riqueza que produzimos, para que os portugueses aprendessem.

Ora nem mais, caro Miguel. Sem tirar nem pôr.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Maria João Pires é Brasileira

A pianista Maria João Pires vai renunciar à nacionalidade portuguesa, tornando-se aos 65 anos cidadã brasileira. A notícia é avançada pela Antena 2 da RDP, que adianta que a pianista se fartou “dos coices e pontapés que tem recebido do Governo português".

Venham de lá essas indignações. Viva a Pátria-Mãe. Ou então não.

Eu aplaudo a Maria João Pires. E pela minha parte, se pudesse, desaparecia para o Sri Lanka como o grande Arthur C. Clarke. Há muito que este país deixou de valer a pena. Quem alguma vez tentou mexer uma palha que fosse para fazer algo cá no burgo acontecer, e que não fosse bem visto aos olhos do estabelecido independentemente da sua valia objectiva, artística ou cultural, deve saber do que eu estou a falar.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

RIP: João Bénard da Costa

Morreu hoje um dos homens que mais fez pelo Cinema em Portugal. O 24Hz presta-lhe a devida homenagem e roga que apareçam mais destes, que bem falta fazem.

1935 - 2009

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Killing In The Name Of

É repudiante a forma como quaisquer tentativas de fazer algo pela música que seja genuíno e intelectualmente honesto neste pequenino país redundam sistematicamente em más vontades, aproveitamento de terceiros e na mais pura e simples desonestidade. Bares, associações, promotoras, bandas... não interessa a natureza da entidade, basta que seja de alguma forma contra-corrente e que faça frente ao establishment. É uma questão de tempo, até que se vejam forçados, sem alternativas, a fechar o tasco.

Quem me conhece de perto já terá certamente ouvido da minha parte elogios para com a Amplificasom, promotora recente do Porto, que tem feito a sua quota parte por promover a boa música na Invicta, marcando inclusivamente tours inteiras de bandas que provavelmente, de outra forma, nunca chegariam aos ouvidos dos portugueses. Tudo parecia correr bem, concertos cada vez mais preciosos a acontecer em diversos locais do Porto, bandas como os japoneses Boris, os Russian Circles, os Nadja, os A Silver Mt. Zion, os Secret Chiefs 3, os Capricorns, os Pelican, ainda há dias os míticos Earth e no último fim de semana, os norte-americanos A Storm of Light. Já para não falar do promoverem um espaço para verdadeiros músicos Portugueses (notai a maiúscula, daqueles que não andam 30 anos a gravar o mesmo álbum), como os Löbo, os Catacombe, os Katabatic, os Men Eater, etc etc.

Mas chegam agora os primeiros sinais de castração. Explicam o André e o Jorge, da Amplificasom, num post que tomo a liberdade de transcrever na íntegra:

Olá a todos,

É neste dia chuvoso e triste que vos decidimos escrever, temos algumas coisas para partilhar convosco.

Como muitos de vocês sabem, a Amplificasom apenas surgiu pela enorme vontade que tanto eu como o Jorge tínhamos (e temos) em ver as nossas bandas preferidas aqui na nossa cidade, no nosso país. Quem repara na relação preço dos bilhetes/ qualidade das bandas e no facto da Amplificasom não ter qualquer tipo de apoio, fundos ou patrocínios sabe que apenas dependemos da bilheteira e que ao fim da noite, com todas as despesas e responsabilidades, seria impossível ganhar o que quer que fosse. Mesmo que ganhassemos, duvido que pagasse todo o nosso empenho e dedicação, MAS infelizmente nem todos estamos no mesmo caminho, nem todos estamos nisto pela MÚSICA.

É com revolta e frustração que vos informamos que uma tal organização prevista na lei e que se auto denomina como protectora dos direitos de autor exigiu licenças para os próximos concertos da Amplificasom. Não somos incumpridores, não queremos o mundo à nossa maneira, mas a partir do momento em que uma licença para um concerto custa mais do que o cachet da banda então é porque algo está errado e devia ser revisto. Essa tal organização privada tem uma maneira de trabalhar bastante duvidosa e apesar de ser contestada por muitos não há maneira de os fazer parar. Quem está no meio sabe que bandas como os A Storm of Light (que sábado deram um concertaço enorme), por exemplo, nunca receberão um tostão relacionado com os direitos de autor, todo esse dinheiro vai para os "chicos fininhos" deste país e sabe-se lá mais para quê. Enfim, não me vou adiantar muito mais até para não vos maçar. Quero-vos apenas relembrar que nós na Amplificasom AMAMOS E RESPIRAMOS música, estamos nisto pelo som e as bandas são sempre a nossa prioridade, simplesmente não fazemos milagres (se calhar até já fizemos alguns) e sendo assim temos algumas alterações para vos anunciar:

- Os bilhetes para This Will Destroy You terão um preço mínimo de 10€ e não 8€ como estava estipulado (lá está, temos que tirar uma licença mais cara do que o cachet e ao mesmo tempo não aumentar muito o preço pois vocês não têm culpa). Quem já reservou, sintam-se livres para cancelar, quem ainda não reservou e tenciona ir então reservem-no o mais breve possível.

- Nós e a Lovers decidimos cancelar o concerto de Jarboe + Black Sun. É impossível garantirmos todas as condições que alguém como a ex-Swans merece e depois ainda pagarmos a treta do costume. Esqueçam, neste campeonato não dá.

- Desde a passada quinta-feira que temos confirmado um daqueles concertos pequenos mas gostosos para o dia 5 de Maio. Com a desmotivação que estamos, hoje não teríamos acordado trazê-los cá nem marcado cinco datas ibéricas, mas agora já lhes demos a nossa palavra e contamos convosco para que corra bem. É uma banda de pós-metal da Relapse, daremos mais novidades no blog dentro de dias.

- É provável que o concerto dos suecos Kongh (16 de Maio) seja o último durante algum tempo. Estamos cheios de ideias para o futuro, projectos com malta com a qual nos identificamos e até temos concertos já confirmados para Outubro, mas hoje sentimo-nos amargos e traídos depois de tudo o que temos dado e feito pela música ao vivo nesta cidade. Bem, logo se vê...

Até breve.

Abraço,
André e Jorge (Amplificasom)

Perdoem-me a amargura e o mau feitio mas sinceramente, será que este país merece outra coisa? Para merecer teria de haver uma consciência colectiva que puxasse para outro sentido que não este. Mas numa cultura de "laissez-faire" onde os Tonys (e os Mickaéis) Carreiras enchem Coliseus e Atlânticos, não se pode esperar qualquer grito de revolta. O que há, é demasiado lá ao fundo e prontamente abafado, como se vê.

Pessoalmente, é óbvio que qualquer respeito que tivesse pelo Miguel Guedes e os outros como ele, foi pelo cano abaixo.

Tempos negros...

segunda-feira, 30 de março de 2009

1.ª Mostra de Cultura Fílmica

O nosso assíduo leitor Carlos Duarte fez-nos chegar um mail com a divulgação deste evento, vivamente recomendado aqui pela rapaziada:
Serve a presente para vos informar que no dia 30 de Abril - quinta-feira, às 21 horas, o Pátio de Letras (em Faro) recebe a 1ra Mostra de Cultura Fílmica, evento para o qual, desde já, convidamos Vs. Exas a estar presentes.

Serão exibidos na 1ra Mostra de Cultura Fílmica os filmes: "Um Cão Andaluz" de Luis Buñuel; a curta-metragem "The Alphabet" de David Lynch e ainda "O Raptado" - a primeira curta-metragem do jovem realizador Rodrigo Machado.

Esta Mostra conta com as presenças da Professora Mirian Tavares, Professor Vitor Reia-Baptista, Paulo Fialho e Rodrigo Machado. O painel de convidados tem a seu cargo falar e esclarecer-nos sobre a linguagem fílmica e os seus vários códigos, respondendo a quaisquer questões suscitadas pela audiência.

O evento é gratuito e aberto a todo o público interessado em Cinema.

Serve ainda o presente para solicitar a Vs. Exas. a divulgação do evento acima mencionado nos meios ao vosso dispor.

Para quaisquer esclarecimentos aqui ficam os seguintes contactos:

Filipe Relêgo - Email: filiperelego@gmail.com

Nuno Fernandes - Email: fernandes_faro@hotmail.com

Sem mais assunto de momento e na expectativa de Vs. presença, despedimo-nos com os nossos melhores cumprimentos,

Atenciosamente,

A Organização.

Filipe Relêgo.
Nuno Fernandes.


O site oficial do evento pode ser visitado em culturafilmica-fchs.blogspot.com.

Carlos, obrigado pela dica!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Dantes Era Assim

Um dos poucos veículos de cultura musical no nosso país, o Blitz já sofreu algumas mutações desde que começou a sair para as bancas em 1984. O facto de ser quase tão antigo como eu próprio exige de mim um certo respeito, apesar da banalidade em que se tornou com o passar do tempo, banalidade essa de alguma forma aliviada com o novo formato de revista, em vigor desde 2006.

Via "O Homem Que Sabia Demasiado", fiquei hoje a saber que está em marcha um projecto para digitalizar os arquivos do Blitz e muito desse trabalho está já disponível online. O que eu também não sabia - mas vá, desconfiava - é que o Blitz foi instrumental na internalização de uma forte cultura musical cá no burgo, numa época em que a Internet, para o bem e para o mal, não existia e em que descobrir coisas novas era provavelmente mais cativante, já que as novidades eram mais escassas e sobretudo mais difíceis de conhecer.


Como diz Victor Afonso, no blog anteriormente referido, "no fundo, os primeiros 10 anos de existência do Blitz, para mim os mais decisivos, foram uma época de verdadeiro culto e de militância, de verdadeira causa à música." Isto é algo pelo qual passei muito de raspão, devido à idade que tenho, mas com o qual me identifico profundamente. Havia, de resto, uma mística muito engraçada e de certa forma excitante em, por exemplo, ouvir a "Submissão" dos Xutos numa cassette original, em casa de um amigo. As coisas estavam a acontecer.

E o declínio, por vezes acentuado, deste tipo de publicações com razões frequentemente inexplicáveis faz-me lembrar uma frase do Jack Black no brilhante "High Fidelity":
Rob, top five musical crimes perpetrated by Stevie Wonder in the '80s and '90s. Go. Sub-question: is it in fact unfair to criticize a formerly great artist for his latter day sins, is it better to burn out or fade away?

Em todo o caso, dêem asas à nostalgia ou pura e simplesmente à curiosidade em "O Velho Blitz". Vale a pena.