quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Autenticidade

"The biggest challenge in the underground music community to me is the popularity of some of the commercial "punk" bands. Some of them are of the most transparent and void music I've heard in my life. Business oriented people presenting themselves as bands, labels, etc., expoiting a pretty sacred culture and making it into some sort of marketing machine for Hot Topic or whatever. Next we're gonna see some of these bands persuing legal action against kids that download their music. Honestly, I think the Backstreet Boys are more genuine than a lot of those bands."

-- Andrew Tweedy, guitarrista dos Buried Inside

Crying Men

A fotógrafa Sam Taylor-Wood pediu a alguns dos nomes mais másculos do mundo de Hollywood para baixarem as defesas e deixarem-se ser fotografados enquanto choram. O resultado é arrebatador. Estas são as minhas preferidas:


















Daniel Craig.














Ed Harris


Para mais fotos, aqui.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Três Para a Viagem

E para corresponder aos anseios do pessoal que já anda aí nos comentários de outros posts a pedir mais peso, mais heavy, mais metal (ou terei percebido mal?) aqui ficam três recomendações de discos ainda quentinhos, acabados de sair do forno há um mês ou dois. Dirty, dirty sludge.



Os Kowloon Walled City já tinham um excelente EP, "Turk Street", do ano passado mas agora mostram que na longa-duração também dão cartas. Com o nome da banda retirado directamente de um enclave ingovernável no coração de Hong Kong, "Gambling On The Richter Scale" não é uma audição imediata mas, tal como o nome do álbum indica, é um álbum de proporções sísmicas. Sujo e agressivo como manda a lei do sludge, é uma série de riffalhões ameaçadores, fruto de uma secção rítimica com um tom e um ritmo devastadores.



Os norte-americanos Black Cobra deram o salto para a Southern Lord ao terceiro álbum mas não deixaram os seus créditos por mãos alheias. Esta é uma lição de como um duo consegue fazer mais barulho (do bom, note-se) do que muitas bandas com 6 ou 7 elementos e é além disso uma lição na arte do riff. Fica para quem quiser explicar como é possível ter um peso e um gravalhão destes sem ter um baixo na banda, mas isso não interessa nada agora porque os 40 e tal minutos são de pura adrenalina sludge/stoner, em que guitarrista e baterista tocam em perfeita sintonia. Groovy!



E o que é que acontece quando em 23 minutos apenas se junta hardcore, pós-rock, noise, experimentalismo e até um interlúdio acústico? Um grande disco ou uma grande borrada. No caso dos Litany For The Whale, tendo em conta que "Dolores" é o seu primeiro EP, revela uma banda muito promissora para o futuro, que não se deixa confinar ao espaço hermeticamente definido por um qualquer estilo. Soam extremamente crus mas com um bom gosto extraordinário, mostram influências diversas desde os Sonic Youth aos Isis, passando pelos Cave In ou Dillinger Escape Plan, deixando antever boas coisas deste quinteto californiano para o futuro.

Them Crooked Vultures: Já à Venda



Converge e os Processos

Não é o Processo do Kafka, mas sim a forma como uma banda hoje em dia pode e deve operar no mundo em que se movimenta. O vocalista dos Converge, Jacob Bannon, deu uma entrevista belíssima ao site Exclaim, onde se percebe que é um tipo inteligentíssimo e bastante esclarecido sobre como ser e estar na música. Isso explica, aliás, em boa medida, o sucesso e a evolução constante que os Converge têm mostrado ao longo dos seus já 19 anos de carreira.

"We've always felt that that's the way to be: a band are an island. You should be able to live on your own without asking for much help along the way. That's the way we've always been."

Bannon afirma também que a relação da banda com as diferentes labels, em especial a actual colaboração com a Epitaph de Brett Gurewitz, guitarrista e fundador da instituição punk que são os Bad Religion:

"The relationship we have with Epitaph is probably the healthiest relationship I've ever known of a band and a record label. As a band, we're pretty self-sufficient, we don't ask for much from our labels that we're affiliated with."

"Axe To Fall" é um seríssimo candidato aos lugares do topo da maioria das listas típicas de final do ano, pelo menos no que ao metal extremo diz respeito e trata-se realmente de uma obra-prima de hard core técnico, contando com a colaboração de nomes tão díspares como Steve Von Till dos Neurosis, os Genghis Tron ou mesmo Ulve dos death metallers suecos Emtombed. Será que o hype, justificado, sobe à cabeça dos Converge?


"You do it because you love it. You love creating honest, sincere music. Critics and other things don't matter. It's completely irrelevant. I appreciate accolades from people just like anyone else but it's not something that drives our band (...) We're not trying to be the biggest band or the best band in the world. We're trying to be the best band we can be as the four individuals that we are."




domingo, 15 de novembro de 2009

É Hoje


Tendo em conta quem está a promover e organizar esta bruteza de cartaz, só pode correr bem. Eu vou estar lá, pelo menos no Act I, para apanhar com a buja que vão ser os concertos de A Storm of Light, Black Sun, Altar of Plagues e muito especialmente MINSK.

Peter Gabriel Cover Album

Admirava o homem quando andava com a pancada dos Genesis e do prog rock e continuo a respeitá-lo. Agora, depois de vários anos a solo, decidiu lançar um álbum de covers e estranhamente chamar-lhe Scratch My Back, com lançamento previsto para 25 de Janeiro do próximo ano. É bem.

Ainda não ouvi, mas dou-lhe já os parabéns de avanço pela escolha das covers. Arriscado e interessante. E mais interessante fica já que parece que isto vem numa espécie de acordo de troca, onde as bandas/artistas de quem Gabriel faz cover, hão-de também fazer cover de temas dele num futuro próximo.


01 Heroes (David Bowie cover)
02 The Boy in the Bubble (Paul Simon cover)
03 Mirrorball (Elbow cover)
04 Flume (Bon Iver cover)
05 Listening Wind (Talking Heads cover)
06 The Power of the Heart (Lou Reed cover)
07 My Body Is a Cage (Arcade Fire cover)
08 The Book of Love (Magnetic Fields cover)
09 I Think It's Going to Rain Today (Randy Newman cover)
10 Après Moi (Regina Spektor cover)
11 Philadelphia (Neil Young cover)
12 Street Spirit (Radiohead cover)

Nick Cave & Warren Ellis Com Nova Banda Sonora

Depois de "The Proposition" em 2006 e "The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford" em 2007, os Bad Seeds Nick Cave & Warren Ellis voltam a assinar uma banda sonora, desta feita para a adaptação do livro de Cormac McCarthy "The Road". Isto não é propriamente novidade, mas sabe-se agora que a banda sonora em si terá lançamento oficial a 23 de Novembro, dois dias antes do próprio filme, segundo avança a Pitchfork.

Como side note, refira-se que a última adaptação de uma novela de McCarthy foi o absolutamente brilhante "No Country For Old Men", dos irmãos Coen, aquele que é para mim um dos melhores filmes da década, para não dizer de sempre. Foi aliás o vencedor do Oscar de Melhor Filme e granjeou um Oscar de Melhor Realizador a Joel e Ethan Coen. Ironicamente, trata-se de um filme sem banda sonora.

Será "The Road" também um candidato a Oscar? Estarão Cave e Ellis no Kodak Theatre à espera de receber uma estatueta em Fevereiro do próximo ano?



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ulver/Sunn O))) Split?



Eles já têm os robes da cena em comum, por que não também um splitzinho para a malta. Parece que está mesmo na calha, possivelmente para sair em 2010.

E já que se fala de Ulver, não posso deixar de recomendar o "Shadows of the Sun" de 2007, uma autêntica pérola. Da review do José Carlos Santos no too.many.records:

It's a perfect situation-album if there ever was one - it's the perfect album to put on when you're going to sleep, when you're on a long journey, when you want to make a certain kind of love to your partner, in the early morning when you feel like being quiet, you name it. As a mood-setting album, there are precious few, ever, that can match it.

Não podia concordar mais. Venham de lá mais deste brilhante colectivo Norueguês.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Entrevista com Steve Brodsky

O blog Exploding In Sound publica uma entrevista bastante interessante com o homem forte dos Cave In, eles que regressaram este ano com o EP "Planets of Old", depois de um hiato de quatro anos desde "Perfect Pitch Black". Brodsky fala não só dos Cave In, como também das suas aventuras a solo, dos projectos paralelos dos outros membros da banda (nomeadamente os Clouds e os brilhantes Zozobra de Caleb Scofield) bem como da experiência de voltar a ensaiar músicas antigas depois destes anos em stand-by.

Anyway, I've always had an affinity for the Kurt Cobain approach of piecemeal writing - simple melodies with short-attention-spanned lines creating something more complex than what you hear upon the first few listens. More simply put, it's just another form of poetry.

"Planets of Old" já está à venda, editado pela Hydra Head.

Wherever there is light...

Descobri no-man num daqueles acasos apenas comparável com descobrir o significado do escudo papal através de uma entrada da Wikipedia sobre o 5 de Outubro.

Gostava de Porcupine Tree, fui à procura do que faz Steven Wilson quando não é Porcupine Tree e descobri que o ilustre produtor/compositor/músico colabora com Tim Bowness neste projecto.

São músicas lentas, espaçosas e vazias, que exigem um ouvinte paciente e audiófilo para serem desfrutadas em pleno. Eu nem sempre sou esse ouvinte paciente mas enfim, deixei-me levar e tenho agora cerca de metade da discografia dos senhores. Em tempo de mp3 isto parece idiota, ou se tira um album ou a discografia toda... mas a verdade é que eu comprei isto tudo à moda antiga.

Dos CDs e DVDs que me vieram parar a casa o Schoolyard Ghosts é o mais intrigante. As músicas deslizam como nevoeiro por uma encosta verdejante numa manhã de Outono, cada som actua como o estalar da lenha numa lareira de Inverno.

Veredicto: 8/10

Darkness Comes Alive


Seríssimo candidato a um dos álbums do ano aqui para o je. Este "Darkness Come Alive", do bandalhão que dá pelo nome de Doomriders, é um festival de riffs e malhões de princípio a fim e segue altamente recomendado para quem gosta do seu stoner/doom apuradinho.

O guitarrista/vocalista Nate Newton marca pontos a dobrar este ano, já que é mais que certo que o novo dos Converge, "Axe To Fall", banda da qual também faz parte na qualidade de baixista, estará em inúmeras listas de melhores do ano muito em breve. Diga-se de passagem que esse também é muitíssimo recomendável para a malta mais do core.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Magnetic Fields de Volta

Sai a 26 de Janeiro o novo álbum dos The Magnetic Fields, intitulado "Realism". A banda de noise pop de Stephin Merritt sempre foi um bocado hit 'n miss para mim, depois de ter gostado e ouvido bastante do fantástico "69 Love Songs", "i" passou-me completamente ao lado e "Distortion", do ano passado, também merecia mais rodagem.


A ver se me redimo com este "Realism".

Em Alta Rotação

Minsk - The Ritual Fires of Abandonment (2007)

Black Cobra - Chronomega (2009)

Black Sun - Paralyser (2008)

Six Feet Under - Haunted (1995)

Baroness - Blue Record (2009)

Amenra - Mass IIII (2008)



Novo Site Oficial da LOUD!

Custou mas foi. O novo site oficial da principal revista de metal em Portugal, a LOUD!, está finalmente no ar deste esta manhã. Tem bom aspecto, dá a conhecer algum do conteúdo até agora só presente na revista física e incorpora o blog já existente.


Este mês as honras de capas pertencem aos Katatonia, cujo álbum "Night Is The New Day" foi para mim uma tremenda desilusão, depois do magnífico "The Great Cold Distance". Estou curioso para ver o que diz a LOUD! sobre o disco, além da entrevista com o Jonas Renkse.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Amplificasom: Happy 3rd Birthday


Quando há vontade e todos remam para o mesmo lado, está provado que as coisas acontecem. O que uma promotora de dois "teimosos" apenas, que tenho o prazer de contar como amigos, já fez em três anos é mais do que muita gente com infinitos recursos conseguiria fazer em três séculos. E faz hoje precisamente três anos que a Amplificasom promoveu o seu primeiro concerto, os Enablers, na cidade do Porto.

Desde então, à conta do André e do Jorge, já passaram por cá nomes como os Pelican, os Boris, os Secret Chiefs 3, os Fuck Buttons, os Earth... e tantos outros que seria impensável ter cá até há bem pouco tempo. E agora, em jeito de prenda de aniversário temos o cumprir de um sonho que é ter cá os Isis para duas datas que se afiguram inesquecíveis.

O Erode publica hoje uma entrevista porreira com o André, elucidativa da motivação desta gente. É continuar a apoiá-los!

Prayer Fest: Falta Menos de Uma Semana


Para quem gosta daquilo que algum maluquinho um dia se lembrou de chamar "pós-qualquermerda", é bom não esquecer que nos próximos dias 15 e 17 deste mês vai decorrer o Prayer Fest, na Academia Recreativa e Musica de Sacavém, pela mão da Ritual Som.

Para quem não teve oportunidade de ver os A Storm of Light e os Minsk na sua recente passagem por Portugal ainda na primeira metade deste ano, este é o sítio certo para expiar esse pecado. E de bónus ainda se leva com bandalhões como os Buried Inside, os Altar of Plagues, Black Sun, Tombs, Eryn Non Dae e Dawnrider. Imperdível.

Em jeito de teaser, aqui fica o brilhante tema "Tempest" dos norte-americanos A Storm of Light, tirado do seu novo álbum "Forgive Us Our Trespasses":



Them Crooked Vultures: Full Album Streaming


Escrevi há tempos aqui no tasco sobre a junção destes três senhores e volto aqui a fazê-lo pois soube há pouco que o ansiado álbum dos Them Crooked Vultures já está disponível na íntegra em streaming via YouTube.

Achava difícil que Josh Homme, John Paul Jones e Dave Grohl produzissem em conjunto algo abaixo da média e diria que não me enganei. Este álbum, não sendo nada de revolucionário (haverá ainda revolução possível?), é suficientemente variado, consistente e original. Ainda não ouvi o suficiente para tecer considerações e muito menos comparações mas recomendo vivamente para quem gosta de bom rock.

Os Them Crooked Vultures vão estar em tour pela Europa no próximo mês de Dezembro, digressão essa que infelizmente não passa por Portugal, nem cá perto, limitando-se à Alemanha e Reino Unido.

sábado, 7 de novembro de 2009

Flashforward

imdb

Quando ouvi falar sobre a premissa desta série, quis vê-la. Até fiquei doente com a espera.

Um estranho evento não identificado causa um black-out de consciência em todas as pessoas do planeta durante 137 segundos. Acidentes acontecem, muitas pessoas morrem etc.
Quando voltam ao mundo dos vivos, é concluído, ou informalmente aceite, que os sonhos que tiveram durante o apagão foram na verdade uma premonição do seu próprio futuro daí a aproximadamente 6 meses.
O agente do FBI Mark Benford, ao prever o seu envolvimento na investigação do evento, o que o leva a iniciar dita investigação.

Agora: os paralelismos entre FlashForward e Lost são mais que evidentes. A questão do salto no tempo, as brincadeiras com física quântica, para os mais distraídos, no primeiro episódio o carro onde os agentes do FBI viajam passa por um poster de nada mais nada menos que a Oceanic Airlines. Isso prova no mínimo a conexão.

Mas Flashforward não tem uma coisa que Lost tem: guionistas geniais. Não estou a falar em termos de história mas sim de guião. O personagens dizem o que pensam, não existe subtexto nas suas palavras, comportam-se de maneira errática apenas para fomentar o deslindar da série, os plot-points de cada episódio servem apenas para o "mantenha-se colado ao ecrã" e o pior de tudo não é isso.

O pior de tudo é o pretensiosismo da série. Querem sempre fazer parecer que o que os personagens dizem é o melhor pedaço de informação do mundo, tornando-se inclusivamente explicativo e óbvio. Quem viu o interrogatório daquela senhora loira sabe do que falo. Isto funcionaria se os actores fossem decentes. O que não são. (Ah! E que ideia foi esta de ir buscar a Penelope Widmore e o Charlie Pace a Lost? Sucks!)

Não é inteligente, antes pelo contrário. É Lost para burros. Não no sentido de "quem vê é imbecil" mas no sentido daqueles livros amarelos que há na FNAC "...for Dummies". É isso: Lost For Dummies com tudo muito bem explicadinho passo a passo, deixando 0% de espaço à imaginação.

Mas eu não acho FF mau. Simplesmente é mediano.

No lado bom: todas as quintas feiras saco o novo episódio. O que eles fazem mal, fazem muitíssimo bem. Deixar a revelação para o fim, dar dicas de um breve desenvolvimento, personagens com enredos tipo telenovela, etc...

O meu grande problema com isso é que devido à má batelada de séries que invadiram o ecrã neste pós Era-Dourada, os standards das pessoas mergulharam totalmente, deixando a fasquia do critério baixa demais... Assim, qualquer coisa que seja razoável, parece genial.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Surrogates

imdb

Ano de produção: 2009

Realizador: Jonathan Mostow

Elenco: Bruce Willis, Radha Mitchell, Rosamund Pike, James Cromwell

surrogates-poster

Baseado na BD homónima, a qual devo confessar que não li e não conhecia, Surrogates é um filme de ficção científica sobre um futuro bastante provável – aquele em que deixamos de sair à rua para deixar que perfeitos e indestrutíveis robots façam o nosso trabalho “sujo”: viver. A ideia é simples. Cada um de nós teria um surrogate (substituto), que assumiria a nossa vida, controlado pelas nossas ondas cerebrais – nós seriamos o seu cérebro, sem sair de casa. Este surrogate faz tudo por nós: está suceptível a doenças, acidentes, emoções fortes, é o saco de pancada do patrão, etc. E nós passamos a vida de pijama e robe, comendo e engordando sem por um segundo pensar em ir ao ginásio, porque afinal o mundo conhece-nos pelo nosso robot: aquele perfeito ser de plástico que não precisa de lipoaspirações nem de correr na passadeira durante dez minutos por dia. E melhor. Acabaram-se as operações de transgender. Ninguém é obrigado a ser, no mundo, o que é no conforto do seu lar. Acabaram-se as tomas de hormonas e os cirurgiões plásticos (duas indústrias que concerteza seriam extintas: a farmácia e a cirurgia plástica).

Bruce Willis protagoniza este filme que levanta uma série de questões éticas e morais. É verdade que o tema não é completamente novo – vivemos com filmes sobre cyborgs desde que nascemos, especialmente a geração de 80, mas digamos que este argumento é um concentrado de todas as problemáticas. Não sendo uma narrativa-exemplar, por lhe faltar emoção e acção à trama, é interessante do ponto de vista académico. Ter um surrogate é bastante cómodo, a todos os níveis – até porque, sendo indestrutível, nós podemos saltar de prédios e levar com um carro em cima sem ir parar ao hospital, o que concerteza dará uma sensação de poder incrível. Por outro lado, e porque não há bela nem senão, é óbvio que esta comodidade se tornaria um vício. O ideal seria usar o substituto para as partes mais ingratas da vida, mas continuar a frui-la da melhor maneira. Afinal, que melhor que ter um clone pelas ruas enquanto nós, no conforto do nosso lar, podemos ser saudáveis e felizes sem preocupações? O problema é que ninguém pensou nisso. O problema é que toda a gente se habituou a que a máquina fizesse tudo, incluindo viver as suas relações amorosas. Bruce Willis personaliza este problema. Ele e a mulher perderam o filho num acidente, numa era pré-surrogates. Desde então, perderam toda a vontade de enfrentar o mundo, e adoraram os surrogates porque, afinal, se tivessem tido um antes do acidente, o seu filho ainda estaria vivo. Mas o que aconteceu à crónica insatisfação do homem? O que aconteceu ao que nos torna humanos – seres sedentos de emoções novas, novos desafios, o que nos testa e torna melhores? Os surrogates só deixam lugar à apatia, alienação, ao descuido do corpo e ao menosprezo do eu. Se existe outro melhor que eu, que se faz passar por mim, porque irei lutar?

Eis então que o próprio fundador dos surrogates percebe o erro que cometeu, e tenta reverter a situação. Canter (James Cromwell), queria dar voz aos incapacitados, eliminar as diferenças e discriminações sociais, não tornar o mundo numa massa amorfe e esquecida de viver. Mas será que é possível voltar ao passado depois de viver um futuro tão cómodo?

Veredicto: 5/10 (Não dou mais porque a acção deixa a desejar)