terça-feira, 29 de setembro de 2009
District 9
Realizador: Neill Blomkamp
Elenco: Sharlto Copley, Jason Cope, Nathalie Boltt
imdb
"Estranhamente, esta nave não veio aterrar em Nova Iorque, Chicago ou Washington, mas sim em Joanesburgo, em plena África da Sul". É assim que começa District 9, uma história sobre um atípico caso de invasão alienígena, em que os aliens não queriam conquistar o mundo nem exterminar a população. Aliás, estes ETs, que chegaram há 20 anos a Joanesburgo, pareciam sim refugiados, criaturas subnutridas implorando por um lugar para viver. Foram então colocados numa área circunscrita, denominada "District 9", onde em autênticas barracas foram fazendo a sua vida como se estivessem no seu próprio país. Tiveram até direito a registo com nomes humanos.
No entanto, rapidamente se revelaram um problema para os habitantes de Joanesburgo. É que a ideia de divertimento para estes alienígenas era a destruição. Revelaram-se também pouco higiénicos, comendo tudo o que aparecia no chão e deixando um rasto de sujeira por onde passavam. Tornaram-se, então, os inimigos públicos n.º1 daquele país. De súbito, temos imagens do que nos parece um apartheid de ETs: há sinais de proibição à entrada dos "gafanhotos", como lhes chamavam, em todos os locais públicos. Mas estes "gafanhotos" não respeitam a ordem... Tornou-se então imperativo expulsá-los, colocá-los noutro guetto, mais afastado do centro de Joanesburgo.
Wikus Van De Merwe, um entusiasta funcionário de uma empresa multinacional encarregue de assuntos com aliens, é destacado para dar o aviso de despejo a todos gafanhotos do District 9. A operação corre mal e Wikus acaba por inalar uma substância que o torna, a pouco e pouco, um gafanhoto. É então que o filme passa de uma crítica social ao apartheid de África do Sul para uma análise sociológica e política virada para a ganância. É também então que descobrimos que a decisão de mudar os ETs para outra área, "com mais condições" (campos de concentração, holocausto, anyone?), não é mais que um embuste para confiscar todas as armas dos aliens, e tomá-las para os conflitos ocidentais. É então que Wikus se torna o ser humano mais precioso para a economia mundial, em especial para as empresas interessadas na sua capacidade em manejar as armas dos ETs.
Em jeito de documentário, com vários relatos de sociólogos, jornalistas e cientistas que acompanharam o caso, este é um dos mais fortes e intensos filmes sobre invasões de aliens e as suas percurssões na mesquinha e gananciosa mentalidade humana. Simultaneamente, leva-nos pela tragédia de um homem tornado insecto, fazendo-nos sentir o drama da situação ao máximo. É verdadeira a dor de Wikus. E é inevitável a comparação com a Mosca, de Cronenberg, que Neil Bloomkamp soube beber com genialidade.
Um filme obrigatório.
Veredicto: 8/10
sábado, 26 de setembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
The Not-So-Great Rock & Roll Swindle

"Não era preciso ser um tipo duro, um pseudo-Henry Rollins [vocalista da instituição hardcore Black Flag] no ‘mosh pit' para perceber os Green Day. Com efeito, era possível gostar dos Smiths e perceber os Green Day. As raparigas gostavam dos Green Day. Especialmente raparigas". Esta passagem de "My So Called Punk", livro de Matt Diehl sobre a ascensão comercial do punk rock, diz muito sobre a força que "Dookie" teve no rock alternativo há 15 anos. Sim, é já essa a idade de "Dookie", dos Green Day, e de "Smash", dos Offspring, dupla que pôs o punk debaixo dos holofotes e serviu de versão menos auto-destrutiva da "teenage angst" que o grunge já anunciara.
Mas que punk é este, o que os Green Day trazem a Portugal, cinco álbuns depois de "Dookie", com colaborações com os U2 (monstros do rock, ideia que os punks, supostamente, desprezam), muitos milhões de discos vendidos e telediscos com raiva, política ou juvenil, milimetricamente calculada pelo meio?
Não há respostas fáceis, mas convém ter em conta que os Sex Pistols eram também uma deliciosa farsa (lembram-se de "The Great Rock'n'Roll Swindle"?). Uma parte da diferença entre as duas bandas está no contexto: já ninguém se choca com isto. E que culpa têm os Green Day, que viram o sucesso cair-lhes em cima quando nunca tinham gritado contra o capitalismo e só se preocupavam com as melhores formas de contornar o tédio?
Sem verdades absolutas (os puristas vão continuar a odiá-los por terem traído o impoluto e anti-comercial dogma punk rock que professam), sobram, portanto, as canções. E os Green Day têm-nas, desde as básicas e aceleradas de "Dookie" e "Insomniac" às aventuras mais ambiciosas dos dois últimos discos, que devem ser privilegiadas no concerto do Pavilhão Atlântico. Em "American Idiot" (2004), o penúltimo disco dos californianos que se revelou um estrondoso sucesso de vendas e voltou a pôr o "neopunk" no mapa, inventaram uma ópera rock, à maneira dos Who, com refrões pop memoráveis, correrias eléctricas e uma pompa mais punk do que a enésima variação de três acordes à Ramones.
"American Idiot" tornou-os "rockers" respeitáveis e com algo a dizer (foi um dos discos mais simbólicos da luta anti-George W. Bush). Este ano, regressaram com "21st Century Breakdown". É mais do mesmo, mas o mesmo é bom: punk rock sem medo de lembrar os Queen e de meter guitarras acústicas melosas e pianos ao barulho. Este mês apresentaram um musical em torno de "American Idiot". Esqueçam o punk, a rebeldia e outras ideias tantas vezes mitificadas: os Green Day têm lata e têm canções. Não é disso, afinal, que trata o rock'n'roll?

Não, não é. O Ípsilon tá cada vez mais demagogo.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Taking Woodstock
Realizador: Ang LeeActores: Demetri Martin, Imelda Staunton, Emile Hirsch
imdb
Não queria ir ver este filme porque não me dou bem com o Ang Lee. De reparar a carreira do homem (apenas por destaques):
- Eat Drink Man Woman
- Sense and Sensibility
- Crouching Tiger, Hidden Dragon
- Hulk
- Brokeback Mountain
- Taking Woodstock
Repararam no Hulk ali no meio? Esse filme é asqueroso! Juro que não percebo o homem. Bem, como ia a dizer, não queria ver este filme mas lá fui. Arrastado pelos cabelos, tive de ir sentar-me no cinema (coisa que já não fazia há largos tempos [sem contar com Inglourious]) e definhar 2 horas.
Mas........este é sem dúvida alguma o melhor filme que vi este ano. Seja onde for. A beleza do filme, dos personagens, da história, da lição é de uma força arrebatadora que me deixou a pedir mais filmes do Ang. Os actores, que são muitos, conhecidos e bons, estão incomparáveis, no melhor papel das suas carreiras (talvez com a excepção de Emile Hirsch) especialmente o fenomenal Demetri Martin, no seu primeiro papel em cinema e a clássica Imelda Staunton, desempenhando a mãe de ferro.
Não quero dizer mais nada para não estragar o filme. Digo apenas: se só puderem ver mais um filme até ao fim deste ano, que seja o Woodstock.
Aliás, levantem-se e vão vê-lo. Agora. Juro que não vão arrepender-se.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Marvel -//- Disney
Felizmente, os correspondentes de Cinema de Animação aqui no 24Hz já puderam confirmar certos planos para filmes futuros, mediante a fusão.




sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Pirataria: Não é à toa que eu lhe chamo génio.
O vocalista da banda britânica Muse enviou um e-mail a Lily Allen, depois de a cantora ter criticado acerrimamente o sistema de partilha de ficheiros na Internet. Para Bellamy, "a partilha de ficheiros é a regra. Os detentores dos direitos é que não estão a saber taxar correctamente os fornecedores de acesso à Internet (ISP) e isto é uma matéria de leis".
Bellamy compara a Internet à rádio e à televisão, defendendo que a "banda larga tornou basicamente a Internet no novo meio de difusão de informação. Este é o ponto que está a ser esquecido", afirma. Mais à frente, detalha como deve ser taxado o tipo de uso que se faz da Internet. "O uso deve ter um valor. Alguém que apenas consulte os e-mails usa uma parcela mínima da banda larga". Por outro lado, "alguém que faz downloads de um gigabyte por dia usa bem mais, mas neste momento pagam o mesmo. É óbvio qual o utilizador que está a atingir as indústrias criativas e é óbvio o que não está. Por esta razão, o tipo de utilização também devia ser taxado adequadamente".
Referindo-se a quem divulga os ficheiros, o líder dos Muse afirma que "as estações de rádio e de televisão têm que pagar uma taxa aos detentores dos direitos de autor (os que gravam e os que editam) para usar material de que não são donos", devendo-se aplicar o mesmo método em relação à Internet.
Embora a discussão já vá ganhando alguns calos, o certo é que no Reino Unido a problemática em torno da partilha de ficheiros online tem vindo a ganhar contornos mais sérios. Associações de defesa dos downloads gratuitos têm protestado contra a vontade do governo britânico de impedir (se é que isso será possível) o actual sistema de partilha de ficheiros. Estas associações, em particular a Featured Artists Coalition, composta por membros de bandas tão ilustres como os Pink Floyd, Radiohead ou Blur, são contrariadas por outros músicos, como é o caso de Lily Allen e Patrick Wolf.
No seu blogue do MySpace, a cantora critica os músicos, por considerar que, para eles, não há qualquer problema com a pirataria musical, "porque enchem estádios e têm grandes colecções de Ferraris". Segundo a BBC, a cantora considera a partilha ilegal de ficheiros "um desastre", que está a ter "efeitos desastrosos" na música britânica.
in Ípsilon
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
O Site Do Ano, Década, Século
Gostam de ver filmes mas não sabem qual hão de ver a seguir? Gostam de mil de uma banda mas não conseguem encontrar bandas do género?
Perguntem à miúda. Ele dá-vos a sinopse, filmes parecidos, filmes do género, lista de casting, trailer, artistas da editora, artistas parecidos e recomenda os mais populares. Só não os saca por vocês.
....Ah, e livros aussi!


O Incidente.

Quem não sabe, fica a saber. Há 3 dias, deram-se os Mtv Video Music Awards. Como sempre em qualquer competição, há gente que se destaca e nesta foram as senhoras Beyoncé e Lady Gaga com 3 prémios cada.
Chegada a hora do prémio Best Female Video, a surpresa foi geral quando Taylor Swift, uma minúscula e adorável cantora de country, subiu ao palco para reclamar o seu Moonman.
Mais geral ainda foi a surpresa quando, a meio do discurso da garota, Kanye West decide pelo segundo ano consecutivo, estragar a festa. Sobe ao palco, rouba-lhe o microfone antes que esta comece a falar e diz: "Yo, Taylor. I'm really happy for you; I'll let you finish. But Beyonce had one of the best videos of all time...". Sai de palco (com o público a vaia-lo), deixando a miúda à beira de um ataque de lágrimas e muda, sem outra hipótese senão retirar-se, humilhada, sob uma ovação de apoio.
Escusado será dizer que houve represálias. O extraordinário foi a quantidade. Meio mundo a insultar Kanye, outro meio a dizer que não volta a trabalhar com ele e ainda um terceiro meio a lançar ameaças à sua carreira.
No fim da noite, Beyonce mostrou muita classe e fez questão de chamar Taylor ao palco para ter o seu momento. Foi agradável ver alguém a contrapor aquele ser desprezível que é West.
Agora a cereja em cima do bolo foi a reacção de Barack Obama (sim, o PRESIDENTE dos EUA!) ao sucedido:
terça-feira, 15 de setembro de 2009
R.I.P - Patrick Swayze
Patrick Swayze já vinha a batalhar com o temido cancro pancreático há 20 meses. Morreu ontem aos 57 anos de idade.
Swayze já tinha entrado na vida de toda a gente seja como Johnny Castle em Dirty Dancing ou aquele rapazola do Ghost -O Espírito do Amor.
Para mim será sempre "Darry" Curtis do filme de Coppola The Outsiders e o Bohdi do surf-film de culto, Point Break.
Aqui está alguém que vai realmente fazer falta.
One More Day, Marvel (2007)
A Civil War, da Marvel, serviu para agitar o universo das BDs das historietas paralelas ao percurso de cada super-herói. Nada como obrigá-los a despir as máscaras e pô-los uns contra os outros para tornar o mundo Marvel mais interessante.
(E agora, só continua a ler quem quiser saber spoilers a torto e a direito, porque não há outra maneira de escrever sobre isto)
O homem-aranha foi um dos que revelou a sua verdadeira identidade. "Hi, I'm Peter Parker and I've been Spider-Man since I was fifteen". Neste momento, os arqui-inimigos de SM esfregaram as mãos de contentamento. O primeiro a pôr a prática os seus desejos de vingança foi Kingpin, que num ápice colocou snipers com Mary Jane e a Aunt May na mira. [ALERTA SUPER SPOILER] Aunt May acaba por ser atingida. Peter Parker, desconsolado, acaba por evocar Mephisto, que lhe propôe um pacto: ele ressuscita a Aunt May, mas Peter terá que abrir mão do seu grande amor, Mary Jane.
Dilema...
Numa fnac perto de si.
É importante apontar que One More Day é de Joe Quesada, um dos melhores desenhistas desta editora.
sábado, 12 de setembro de 2009
Arctic Monkeys, Humbug (2009)
Dizem-me que é indie óbvio, mas eu adoro. Pode ser adolescente e descontrolado, que eu devoro à mesma. Claro que estou a falar de Arctic Monkeys. Apaixonei-me ao primeiro álbum, casei-me com eles no segundo. Era aquele indie rock que eu procurava, louco, irreverente, e com sotaque britânico: delicioso. Alex Turner encurtava-me as viagens de comboio e agitava-me da monotonia dos dias.
Embora o Francisco já tenha falado sobre este novo álbum, Humbug, não posso deixar de escrever umas linhas sobre isto. Da primeira vez que o ouvi, gostei. Mas é um gostar daqueles que se dá à primeira audição, sem emoção, um ouvir sem procurar realmente Arctic Monkeys naquelas músicas. E, lamentavelmente, acho que os Arctic que conheci, com tudo a dizer e sem medo para o fazer, como aliás disse o nosso colega Maia, só se encontram verdadeiramente no single, Crying Lightning. O resto está demasiado maduro e sereno e contrasta em muito com o que banda nos tinha habituado – basta pensar nas incríveis Fake Tales of San Francisco, A Certain Romance e Bet You Look Good on the Dancefloor. Quero os adolescentes desvairados de volta!


