terça-feira, 30 de junho de 2009

RIP: Pina Bausch

Morreu hoje uma das fundadoras da dança Expressionista Alemã.

Estudou na Julliard e na Academia Folkwang e veio a tornar-se nome mundial de Dança Contemporânea. Liderou o Tanztheater Wuppertal e rompeu com estereótipos e convenções do género moderno de expressão artística.

Para a sua arte trouxe mudança. Através da dança contava histórias. Não uma história qualquer mas a da vida dos próprios bailarinos que a dançavam. O seu ecleticismo era reconhecido mundialmente: na sua peça mais conhecida, Masurca Fogo, o reportório músical contava com K.D. Lang, Amália Rodrigues, Marcos Suzano, Simentera, Lisa Eckdahl, Duke Ellington entre homenagens a Astor Piazzola e música clássica.

Coreógrafa, dançarina e pioneira, Pina Bausch morreu hoje aos 69 anos.

Elton John

Eu não sou (ou não tenho sido nos últimos tempos) pessoa de concertos; o Francisco não está em condições de ir a concerto algum, a Fátima gosta de ficar no silêncio e o Paulo vai a tantos concertos que até já tem vergonha de escrever aqui sobre todos...

Por isso a nossa convidada de ontem volta a escrever hoje sobre um concerto, desta feita sobre o tão esperado concerto de Sir Elton John em Portugal. "I guess that's why they call it the blues..."

Elton, já estás perdoado!

Da última vez que Sir Elton John pisou em solo português queixou-se de qualquer coisa como o fumo do casino e não foi de modos: deixou o público português a chuchar no dedo. Apesar da péssima imagem que passou, não terá sido suficiente para impedir que o Pavilhão Atlântico estivesse cheio domingo à noite.

Do Elton John "tiques de estrela" nada se viu. Simpático, carinhoso mesmo, recebeu Lisboa com belas e frenéticas pianadas blues. E baladas, ai, aquelas baladas.
Bem sei que todos vocês que me estão a ler não evitam um "Elton John, ca pirosada!". Mas estivessem lá e garanto, à terceira música já abanariam o corpinho para a esquerda e para a direita, a pensar como era bom encostar a cabeça no ombro do vosso amado/a. Elton John tem este efeito. Goodbye Yellow Brick Road, I Guess That's Why They Call It The Blues, Daniel, Rocket Man, Sorry Seems To Be The Hardest Word, Sacrifice, Candle In The Wind são eternas e todos nos lembramos delas. São amores passados ou presentes, desgostos ou paixões assolapadas, são cenas de filmes românticas. A coisa ficou feia quando dedicou Don't Let The Sun Go Down On Me a Cristiano Ronaldo (what the fuck... não andava a dedicar esta ao Michael Jackson?), mas redimiu-se ao dedicar Your Song "to each and everyone of you". Elton John é assim: um cliché que funciona.

Baladas à parte é importante referir que com 62 mantém a voz de sempre. Potente. Sim, este senhor já anda a tocar há 40 anos, não é brincadeira. O look é cool, camisa rosa, óculos de sol a condizer, e casaco de cauda onde se lia 'mágico da música'. Excêntrico como se quer. Enfureceu ao piano e no final já todos dançavam. Crocodile Rock pôs o público em altas cantorias provando que o Sir também sabe fazer a festa.

[por i]

domingo, 28 de junho de 2009

A Mãe de toda a melancolia

A nossa leitora assídua e blogger convidada i volta a contribuir para o 24hz, desta vez com uma visão pessoal da apresentação do último trabalho de Rodrigo Leão.

A Mãe de toda a melancolia

Noite de quinta-feira é já um bom pretexto para sair de casa rumo ao Bairro Alto, onde ainda se vêem as típicas decorações de Santo António. O calor convidava a uma cerveja fresquinha e a bares de porta aberta, mas se mesmo assim não estivesse convencida, um motivo maior fez-me sair de casa: um convite para o lançamento de A Mãe, o mais recente trabalho de Rodrigo Leão. Foi uma estreia no Frágil, esse bar/sala de concertos que agrupa seguranças à porta. Passando a barreira, a sala abarrotava. Encostei-me ao palco a guardar lugar. O palco era pequeno demais para as muitas cadeiras que lá aguardavam.

O momento que se seguiu eu não esperava. Conhecia as músicas, o CD tinha chegado há dias ao jornal. Conhecia a vocalista, amiga de uma amiga e conhecia também as expectativas, altas. Mas quando Vida Tão Estranha começou, violoncelo, violino, acordeão, piano (onde lá atrás escondido tocava o Rodrigo Leão himself) e bateria criaram uma poderosa onda que me bateu de frente. A voz da Ana Vieira, talhada ao milímetro para aquele som, criou-me primeiro um arrepio nos braços, depois uma dormência nos dedos e finalmente um acumular de lágrimas nos olhos. Um exagero, dirão. Garanto que não.

Seguiu-se A Corda, também em português e Sleepless Heart, em inglês, a língua que menos me pareceu condizer com a música orquestral, doce e angustiada de Rodrigo Leão. Ainda assim, cantarolei-a durante o dia seguinte inteiro. A Estrada e A Comédia de Deus foram as instrumentais "do meio" que não foram de todo o momento "chato" do concerto, como é habitual. Fílmicas, basta fechar os olhos e estamos no cinema.
Canciones Negras tornou-se a minha música preferida do álbum, com a Ana a dar cartas num espanhol com garra, alma e dor. Nessa altura já não sabia bem se o que sentia era o pulsar da vibração da música no meu corpo ou o meu coração que batia depressa e os meus olhos que novamente lacrimejavam, emocionados. Palmas e gritos merecidos.

No Sé Nada escondia a graça de sabermos que a Ana não estava muito certa de saber a letra (confidenciou aos amigos antes do concerto), já que era uma canção falada, que começava com um sorridente "Querido amigo". Se até aqui havia cépticos (duvido que os houvesse) Ya Skaju Tebe deu cabo deles. Ana não fala russo mas contou com a ajuda da violinista dessa nacionalidade para cantar esta canção da qual não entendemos uma palavra, mas acompanhamos com ritmo. O concerto melancólico acaba assim em festa.

O Frágil teve que ser forte para tantas ovações.

10/10


Aproveito para pedir desculpa aos leitores e à i por este texto ser publicado uma semana depois de ter sido escrito mas estive longe de um computador neste espaço de tempo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

RIP: Michael Jackson e Farrah Fawcett



Conhecido por todos nós, pelos nossos pais e pelos nossos filhos, Michael Jackson morreu hoje às 7 da tarde em Los Angeles na Califórnia. O cantor sofreu uma paragem cardíaca e já não respirava quando a ambulância chegou ao local. Mais aqui.




Um dos maiores sex-symbols dos anos 70 e parte dos Charlie's Angels originais, Farrah Fawcett morreu também hoje às 9:30 da manhã. Farrah morreu aos 67 depois de 3 anos a batalhar com cancro. Mais aqui.

terça-feira, 16 de junho de 2009

...e os Katatonia também!


Parece que esses suecos doidos estão também a hibernar numa localização remota e incidentalmente a gravar mais um álbum. About fucking time!

Isto para dizer que também os Katatonia andam a mandar uns bitaites sobre como é que as coisas estão a correr, no seu site oficial.

É só boa música, caneco!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Baroness no Estúdio


Banda que eu já muito elogiei por estas bandas e pela qual tenho uma profunda admiração, os Baroness estão em estúdio desde o mês passado a gravar o sucessor do fantástico álbum de estreia homónimo aka Red Album. Como já vem sendo hábito de inúmeras outras bandas, também eles estão a manter um diário de estúdio (parte 1 e parte 2). Ah e também quero uma t-shirt dos Isis como aquela que o John Dyer Baizley tem na foto acima.

Se o novo for tão bom quanto o anterior, por mim está bem.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Monólitos e Dimensões - I

Stephen O'Malley: "There are some tubular bells on 'Big Church' which were recorded in Ennio Morricone's studio and those were the same bells that were used on a lot of his recordings. Or a lot of the soundtracks at least, including The Good, The Bad and The Ugly. So that instrument has a pretty huge legacy. But it's just a tubular bell! [laughs] I'm actually really interested in the legacy of musical instruments you know. The history behind some of the stuff is pretty amazing. My main guitar is older than I am actually but I actually only know its history back ten years so there's another 25 years of history before that which I'm not sure about. Even the amplifiers that we use . . . It's interesting that something that can make such a profound artistic statement can also be such a tonic in the process. You don't know the history of these instruments."

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Epitáfios

Alguns dos epitáfios que mais me fascinam:
"The best is yet to come" - Frank Sinatra (cantor/actor)

"That's all, folks" - Mel Blanc (a voz de Porky Pig)

"I am ready to meet my Maker. Whether my Maker is prepared for the great ordeal
of meeting me is another matter." - Winston Churchill (político)

"SHE DID IT THE HARD WAY" - Bette Davis (actriz/comediante)

"Well this was fun, let's do it again sometime." - Quniaron Bellthing

"Don't try" - Charles Bukowski (poeta Germano-Americano)

"Curiosity did not kill this cat." - Studs Terkel (Actor, historiador, poeta e escritor)

"I told you so, you damned fools!" - H.G. Wells (escritor de ficção científica)

"Nevermore." - Edgar Allan Poe (poeta, do seu poema "The Raven")

"...there goes the neighbourhood." - Rodney Dangerfield (comediante)

"3.14159265358979323846264338327950288..." - Ludolph Van Ceulen (calculou 35 digitos do Pi)

"Go away...i'm asleep." - Joan Hackett (actriz)

"Ok...I gotta go now." - Dee Dee Ramone (baixista da banda punk Ramones)

"I'll never get out of this world alive..." Hank Williams (cantor Country lendário)

"Jack Lemmon in..." - Jack Lemmon (actor americano)

"This is what happens to naughty little boys" - Alfred Hitchcock (realizador)

e uma das minhas preferidas:

"Dúirt mé leat go raibh mé breoite." - Spike Milligan (comediante irlandês. Traduz do Gaélico: "...eu disse-vos que estava doente..."

100 Best Movie Lines in 200 Seconds



Encontrei esta montagem das 100 melhores citações cinematográficas num blogue, e não resisti a partilhar. São 200 segundos dos momentos mais clássicos do cinema.

"I'll make you an offer you can't refuse..."

quarta-feira, 10 de junho de 2009

20 anos sem Bugs Bunny

Foi há exactamente 20 anos que morreu um dos pais da animação mundial. Não era animador mas sem a sua voz, tudo teria sido muito diferente.

Mel Blanc tem uma estrela no pavimento da Hollywood Boulevard e estreou-se no Jack Benny Show. Daí saiu directamente para a Warner Brothers para dar início ao seu reinado vocal nos Looney Tunes e nas Merrie Melodies

Entre dezenas de outra, foi a voz de: Bugs Bunny, Daffy Duck, Porky Pig, Sylvester the Cat, Beaky Buzzard, Tweety Bird, Foghorn Leghorn, Yosemite Sam, Wile E. Coyote, Barney Rubble, Mr. Spacely , Speedy Gonzales, Tom & Jerry, Secret Squirrel , Marvin the Martian, Taz, the Tasmanian Devil e Pepé Le Pew.

Na sua lápide podemos ler a sua frase mais conhecida: "That's all, folks!"

In Loco: Foge, Foge Bandido no Cinema S. Jorge

Foram os "alternativos" que apareceram: os rockabillies, os mods, os bairristas e os intelectuais. A noite estava cheia e o calor apertava no atraso da banda. Os lugares escasseavam e a vista para o palco parecia inferior ao que viria a ser.

Entrou. Sim, Manuel Cruz e seus cúmplices entraram no edifício. Sentaram-se desprovidos de ego, lado a lado. Manuel no meio com as palavras. Todos tocavam tudo: guitarras, baixos, xilofone, violinos, banjos, bateria, sintetizadores em abundância e um serrote de uma drogaria qualquer.

Da mistura balançada entre os devaneios digitais de um homem e uma música orgânica, a metamorfose dos ouvintes era palpável. Com um equilíbrio entre a produção de sons sintéticos nos seus teclados e uma complicada consonância rítmica imperceptível ao leigo, Manuel Cruz e comparsas introduziram-nos a uma noite com uma das últimas bandas que comercializam arte no seu estado puro.

Nunca tinha ouvido um concerto tão particular. Durante uma hora e meia, foram tocadas por volta de quarenta músicas de 1 ou 2 minutos. Umas exploravam o conceito de ritmo enquanto força básica de movimento. Outras experimentavam com a noção de tempo e compasso enquanto lei musical. As melhores exploravam a alma pueril de um poeta sozinho no palco.

A melhor maneira de descrever o que é estar num concerto de Foge, Foge Bandido é pedir para imaginarem que se trata de um autista a tocar. Mas que o seu autismo é como uma aura que à medida que os ruídos e os sussurros se transformam em música, se alastra e nos engloba a todos.

Aos poucos vamos percebendo o que aquela linguagem significa. À medida que o concerto avança, deslindamos a gramática e entramos no mundo orquestrado de Manuel Cruz. Não tanto o rockeiro de Ornatos Violeta, mas sim o poeta que sofre, experimentando, testando os limites do que é, de facto, a música.

domingo, 7 de junho de 2009

In Loco: Mayra Andrade em Belém, CCB

Como chegou, foi-se: encantante.

Mayra Andrade nasceu em Havana mas cresceu no Senegal, Angola e na Alemanha. Aprendeu com os pais o que era soar a Cabo Verde e lá se deixou levar pelo encanto da Ilha do Fogo. Do Mindelo. Da Praia.

Jovem adulta, conquista a atenção de meio mundo ao ganhar os Jeux de la Francophonie e um Preis der Deutschen Schallplattenkritik. Tudo enquanto canta em crioulo. Foi o suficiente para abrir para Cesária Évora e fazer duetos com Lenine, Chico Buarque e Charles Aznavour.

O concerto foi como seria de esperar. A musa entra, divinal como sempre canta meio mundo de influências com a sua nova banda. Alguns são jovens e verdes. Nem por isso menos capazes. Os rapazolas mostram como a técnica embeleza a voz enquanto os sábios baterista e baixista coordenam estruturas e sonoridades. E depois havia um percussionista maluco.

Começou ameno. Depois ritmado. Depois intimo. Depois calmo. Depois quente. Depois frenético e depois acústico. Acabou corajosamente com um solo accapella de Mayra. Não se ouviu. Sentiu-se.

Foi tão agradavelmente único como cada acorde dissonantemente suspenso no fim de cada música. A mensagem: a morna vive e viverá sempre.

Knowing / Sinais do Futuro

Knowing (2009),
de Alex Proyas
com Nicolas Cage, Chandler Canterbury e Rose Byrne

Knowing é um filme bem feito. Há uma história engraçada e plausível, há referências indirectas (soba a forma de “inspirado em”) a outros filmes e séries, há o Nicolas Cage e há boa fotografia, boa montagem e boa banda sonora. Pelo que percebi uma parte da banda sonora não é original mas uma selecção de música clássica. Quem gosta de efeitos especiais também não fica mal servido com este filme: há bastantes e bem feitos, pintam o filme mas não são o filme. O filme são os números e uma história engraçada à volta de uma mensagem numérica.O filme cresce e desenvolve-se de forma inteligente e harmoniosa sem perder o elemento de acção.

E para dar credibilidade a tudo isto resta dizer que o realizador de Knowing é "the man who brought you" I, Robot; Dark City; The Crow...

Recomendo: 7/10

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Commando (ou "como matar 87 pessoas num filme e sair apenas com um arranhão")

Este filme tem provavelmente a pior banda sonora de sempre, fazendo lembrar as horas que eu perdi a jogo numa Sega Mega Drive.

De resto, não sendo um filme cómico faz sorrir bastante, em especial pela presença do actual Governador do Estado da Califórnia. Arnaldo insiste em falar com monossílabos e deixa cair piadas com pouca piada. Há uma profusão de explosões, tiros e pancada. Cenas de pura pancada que fazem lembrar os westerns com Bud Spencer.

Para variar, o vilão não é um russo nem sequer um sírio psicopata… é um ditador da América Latina. (que original!) Trata-se do antigo presidente de Valverde, um país onde se fala espanhol manhoso e cuja bandeira é arrepiantemente semelhante à bandeira de Portugal.

E lá vai o pai carinhoso e atento dar pancada em ex-combatentes, mercenários e até polícias “bons” (o único bom aqui é mesmo o Coronel Matrix) com o intuito de salvar a filha das garras dos mauzões.

Nada neste filme é plausível. E já não falo sequer de ser possível, apenas de ser “aceitável”, tal como aceitamos que Potter ande sobre vassouras ou Bond use carros-sumarino-avião.

Aquele lança rockets quadrado é uma arma imprescindível para quem quer derrotar um ditador sul-americano. E claro, dá sempre jeito que uma mina colocada à porta de uma casa faça com que o edifício expluda por dentro (quatro vezes e apresentado em ângulos diferentes). No fim Matrix consegue matar 87 pessoas durante o filme e acabar sem um osso partido. Vejam aqui como arrumar 50 pessoas em três minutos apenas.

Ainda assim é uma hora e meia bem passada, um filme que diverte, quando não for pelas piadas é pela porrada. A banda sonora está omnipresente, desajeitada, horrível mas a despertar sorrisos também. E é assim que mesmo cheio de falhas e com o aspecto mais foleiro de sempre o filme bate no topo do factor entretenimento e recebe 6/10. Para ficar a saber todo o filme basta ver o trailer, que serve de resumo:



E com isto ia-me esquecendo de referir que Alyssa Milano está no elenco mas não com o bom aspecto que lhe conhecemos. É a filha do Matrix, raptada pelos maus. Engraçado ver como o patinho feio se tornou cisne.